O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, voltou a defender que o país tenha acesso ao Mar Vermelho, enquanto aumentam as tensões com nações vizinhas e o conflito na região de Tigré se intensifica. A declaração foi feita na segunda-feira, durante a cerimônia de posse para um novo mandato de cinco anos, em Adis Abeba.

Em discurso no Parlamento, Abiy afirmou que o governo trabalhará para garantir uma saída etíope para o mar com base no princípio de concessões mútuas. Para o primeiro-ministro, o acesso é essencial para a “civilização” da Etiópia. O país perdeu o acesso direto ao Mar Vermelho em 1993, quando a Eritreia, então parte do território etíope, tornou-se independente.

A posição de Adis Abeba ocorre em um cenário de deterioração das relações com Eritreia, Egito e Sudão. O governo etíope acusa os três países de apoiar forças opositoras em Tigré, onde os combates contra o governo federal voltaram a se intensificar. A Eritreia, por sua vez, acusa a Etiópia de buscar acesso ao mar por meio de seu território.

As disputas também envolvem a Grande Barragem da Renascença Etíope, construída no rio Nilo. O projeto aumentou as tensões com Egito e Sudão, países que dependem das águas do rio. No domingo, representantes de Egito, Eritreia, Sudão e Somália se reuniram na cidade egípcia de Nova Alamein e declararam que a gestão do Mar Vermelho é responsabilidade exclusiva dos países costeiros. Eles também rejeitaram medidas que possam afetar o uso das águas do Nilo por Egito e Sudão.

No dia seguinte, o Ministério das Relações Exteriores da Etiópia afirmou que qualquer discussão sobre o Mar Vermelho deve considerar os “interesses legítimos e a conexão duradoura” do país com a área. O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, parabenizou Abiy pelo novo mandato e disse esperar avanços nas relações entre os dois países. Em declaração anterior, Mohamud havia afirmado que a Somália não se opunha ao acesso etíope ao mar por seu território, mas ressaltou que a questão precisaria ser negociada oficialmente.