O chefe militar do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan, afirmou que suas forças vão recuperar “cada centímetro” do território sob controle das Forças de Apoio Rápido (RSF) e rejeitou negociações para encerrar a guerra, que começou em abril de 2023. A declaração foi feita na terça-feira (6), durante um encontro na localidade de Village 5, em Merowe, no norte do país.

Al-Burhan disse que a opção militar continuará até a retirada da RSF do Sudão. O conflito teve início após o rompimento entre os líderes das Forças Armadas sudanesas e da organização paramilitar, em meio a divergências sobre a integração da RSF ao Exército. Estimativas da ONU e de organizações internacionais apontam dezenas de milhares de mortos e cerca de 13 milhões de deslocados desde o início dos combates.

A promessa de prosseguir com a ofensiva ocorreu no mesmo dia em que 10 civis morreram e outras pessoas ficaram feridas em um ataque atribuído à RSF no estado de Kordofan Ocidental. O Comitê de Emergência de Dar Hamar acusou o grupo de cometer várias violações contra civis na aldeia de Abu Ajal, na zona rural sudeste de En Nahud.

A RSF vem concentrando forças em Kordofan Ocidental enquanto o Exército sudanês avança em direção a En Nahud e Al Khuway, após obter ganhos no vizinho Kordofan do Norte. No estado do Nilo Azul, mais de 5.500 pessoas deixaram suas aldeias em três dias devido à piora da segurança, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Em meio à escalada, Massad Boulos, assessor sênior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as partes sudanesas devem liderar as negociações para pôr fim à guerra. Ele defendeu um diálogo nacional inclusivo, conduzido pelos próprios sudaneses, e uma transição para um governo liderado por civis. No mês anterior, o Departamento de Estado americano declarou que nem as Forças Armadas, nem a RSF, nem seus respectivos líderes representam uma forma legítima e constitucional de governo para o Sudão.