O mercado financeiro elevou a avaliação sobre os ativos brasileiros após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16%. O Ibovespa subiu mais de 7% no pregão seguinte, alcançou 209.605,70 pontos na máxima e encerrou o dia acima dos 200 mil pontos pela primeira vez.
O J.P. Morgan mudou a recomendação para as ações brasileiras de “neutra” para “acima da média”, após ter reduzido sua avaliação sobre o país em agosto. O banco considera que o resultado eleitoral diminuiu a incerteza política e melhorou a relação entre risco e retorno do Brasil em comparação com outros mercados latino-americanos.
O Morgan Stanley também passou a recomendar a compra de ações brasileiras. A instituição estima uma valorização de 15% a 20% do Ibovespa até o fim do ano caso ocorra uma mudança na política fiscal. Os dois bancos avaliam que o índice pode chegar a 250 mil pontos.
Para o Morgan Stanley, o mercado entrou em uma fase inicial de redistribuição de investimentos, impulsionada pela expectativa de consolidação fiscal. Nesse cenário, setores financeiro, de serviços públicos e industrial poderiam se beneficiar antes dos segmentos ligados ao consumo, segundo a análise do banco.
O Citi aumentou sua posição em ações brasileiras e associou a decisão às promessas de austeridade fiscal, privatizações, desregulamentação e redução do Imposto sobre Valor Agregado feitas por Flávio Bolsonaro. A instituição também considerou o desempenho da direita no Congresso um possível facilitador para a aprovação de medidas de um eventual governo do candidato.
Apesar da reação positiva, investidores ainda aguardam detalhes sobre como o candidato pretende equilibrar as contas públicas. A economista Solange Srour, do UBS Global Wealth Management, afirmou que o mercado está concedendo um “benefício da dúvida” diante da falta de clareza sobre a execução das propostas e do aumento dos gastos obrigatórios nos últimos anos.
A equipe econômica de Flávio estuda, segundo informações apuradas, uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) voltada à redução da estrutura pública, com uma previsão de corte de gastos de R$ 300 bilhões. Analistas ressaltam, porém, que a implementação exigiria medidas potencialmente impopulares e ainda não há sinalizações detalhadas sobre o formato do ajuste.
Fernando Saad Benatti, estrategista global da Avenue, classificou o movimento de investidores estrangeiros como uma alocação tática. Ele alertou que recursos podem deixar o país rapidamente caso aumente a percepção de risco fiscal ou não se confirmem as expectativas criadas após o primeiro turno. A definição da equipe econômica e das propostas após a conclusão do segundo turno será acompanhada pelo mercado.


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