Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, aos 84 anos, em São Paulo. O cantor e compositor estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava um câncer de próstata havia cerca de um ano. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.

Nascido Uday Velloso, em Nova Friburgo (RJ), em 28 de novembro de 1941, o artista foi criado no Rio de Janeiro. Ele começou a carreira fonográfica em 1967 e lançou o primeiro álbum, “Benito Di Paula”, quatro anos depois. Em 1972, apresentou “Violão não se empresta a ninguém”, sua primeira música de destaque.

A projeção nacional veio em 1973, com “Retalhos de cetim”. A canção abriu uma sequência de sucessos que marcou principalmente a música brasileira dos anos 1970, entre eles “Charlie Brown”, “Beleza que é você mulher”, “Bandeira do samba”, “Como dizia o mestre”, “Vai ficar na saudade”, “Tudo está no seu lugar”, “Do jeito que a vida quer”, “Assobiar e chupar cana” e “Proteção às borboletas”.

Benito se definia como “sambeiro” e “pianeiro”, em vez de se apresentar como um sambista tradicional. Seu estilo combinava o toque percussivo do piano com instrumentos de percussão e criou uma assinatura própria dentro do samba. A obra tinha como uma de suas principais referências o compositor Ataulfo Alves.

O cantor também obteve repercussão nos anos 1980. “Ah! Como eu amei” esteve entre as músicas de destaque de 1981, enquanto “Amigo do sol, amigo da lua”, parceria com Márcio Brandão Carneiro, ganhou espaço em rádios e na televisão. A faixa integrou a trilha sonora da novela “A gata comeu”, exibida pela TV Globo em 1985.

Benito continuou lançando discos até 1996, quando apresentou “Baileiro”. Depois, voltou a gravar músicas inéditas com os álbuns “A felicidade é nossa”, de 2017, e “O infalível zen”, lançado em 2021 para marcar seus 80 anos.

Nos últimos anos, o trabalho do artista passou por uma retomada de reconhecimento. Em 2025, Benito foi homenageado como tema do desfile da escola de samba Águia de Ouro, em São Paulo, com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer”. Ele participou do desfile em um dos carros alegóricos.