Um grupo de 32 bordadeiras de Penedo, em Alagoas, transformou a produção artesanal em uma atividade profissional que faturou cerca de R$ 500 mil em 2025. Liderada por Francisca Lessa, a associação produz peças sob encomenda com referências à história, às paisagens e à cultura da cidade.

A iniciativa começou quando Francisca passou a ensinar bordado a outras mulheres. O trabalho ganhou novo formato depois que o grupo conheceu uma técnica de bordado livre e colorido, usada para representar cenas do cotidiano e memórias locais em vestidos, camisas, quadros e acessórios.

A identidade visual das peças também mudou com a participação do desenhista Genilson Liro. Ele passou a criar ilustrações exclusivas para os trabalhos, substituindo referências encontradas na internet e permitindo que os produtos fossem desenvolvidos de forma personalizada. Algumas encomendas alcançam valores entre R$ 5 mil e R$ 9 mil.

A associação adotou um sistema de gestão para acompanhar as etapas da operação, da entrada da matéria-prima à venda dos produtos. A ferramenta é usada para organizar a produção, calcular preços, valorizar o trabalho das artesãs e dar transparência à divisão das atividades.

A internet responde por aproximadamente 80% das vendas. A divulgação nas redes sociais ampliou o alcance da marca, que ganhou visibilidade nacional depois que a empresária e influenciadora Fátima Scarpa comprou uma peça e compartilhou o trabalho com seus seguidores.

Os produtos já prontos têm preços entre R$ 160 e R$ 2.500. Além de gerar renda, a atividade levou algumas bordadeiras a deixar trabalhos informais e passou a funcionar como forma de preservar a memória de Penedo. “É a nossa história, a nossa vida. Esse bordado é nossa alma e nosso amor”, afirmou Francisca.