A cidade de Taiz, no sudoeste do Iêmen, voltou a enfrentar um cerco imposto pelo grupo houthi após a tomada de áreas ao sul e o bloqueio da principal estrada que ligava o município a regiões sob controle do governo. O fechamento provocou escassez de combustível, aumento no preço de alimentos e temor de uma nova crise humanitária.
A ofensiva houthi começou no início de setembro ao longo da costa do mar Vermelho, com a captura do porto de Mocha e do distrito de Dhubab, onde fica o estreito de Bab al-Mandeb. No começo de outubro, forças governistas apoiadas pela Arábia Saudita recuperaram parte do território, mas os houthis avançaram no entorno rural de Taiz e tomaram a cidade de al-Turbah até 4 de outubro, interrompendo a última estrada principal entre Taiz e outras áreas controladas pelo governo.
O novo bloqueio reavivou as lembranças do cerco entre 2015 e 2016, quando forças pró-governo ficaram confinadas em uma área central de Taiz. Naquele período, moradores enfrentaram falta de água potável, comida, combustível e remédios. Parte dos suprimentos chegava por rotas montanhosas difíceis, transportada por pessoas e animais, incluindo cilindros de oxigênio para doentes e feridos.
Uma passagem reaberta em 2024, conectando Taiz a Sanaa e a outras áreas sob domínio houthi, também foi fechada após tentativas de incursão atribuídas a combatentes do grupo, segundo fontes de segurança. A rota havia se tornado essencial para a entrada de alimentos na cidade.
Nabil Jamil, diretor-geral do escritório de planejamento e desenvolvimento da província de Taiz, afirmou que o cerco atual é mais amplo e pode ter impacto maior do que o registrado em 2015. Segundo ele, cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem nas áreas da província controladas pelo governo, além de aproximadamente 200 mil deslocados recentemente pelos combates na costa e no interior.
Em menos de uma semana, as ruas de Taiz ficaram quase vazias devido à falta de combustível. O preço de um recipiente com 20 litros de gasolina subiu de 30 mil para 90 mil riais iemenitas no mercado paralelo. Moradores também correram para estocar alimentos, enquanto comerciantes foram acusados de reter produtos e controlar a oferta. O jornalista especializado em economia Wafiq Saleh disse que houve alta principalmente nos preços de trigo e farinha, enquanto frutas e verduras dobraram de valor.
A continuidade dos combates mantém o risco de agravamento da crise. Autoridades locais pediram ajuda às Nações Unidas para abrir corredores seguros, garantir a entrada de comida e medicamentos e permitir que pacientes cheguem a hospitais. O advogado Nabil Sharyan, da organização Justiça pelos Direitos e Desenvolvimento, alertou que as restrições podem atingir especialmente crianças, mulheres, idosos e pessoas que dependem de deslocamentos para tratamento médico, trabalho ou estudo.


Celina Leão e Leandro Grass apresentam propostas para saúde, educação e segurança no DF
Estudo aponta possível explicação para cães grandes envelhecerem mais rápido
Proteínas vegetais e animais podem contribuir para ganho de músculos, dizem especialistas