A economia da Argentina cresceu nos dois primeiros trimestres de 2026, mas a recuperação ocorre de forma desigual. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3% no primeiro trimestre e 2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Apesar do resultado positivo na comparação anual, a atividade perdeu força entre abril e junho. O PIB recuou 0,6% em relação ao primeiro trimestre, já descontados os efeitos sazonais. No período, o consumo privado caiu 2,4%, o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos recuaram 0,8%. Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo teve queda de 11,1%.

A expansão foi impulsionada principalmente por setores ligados às exportações. No segundo trimestre, a pesca cresceu 44,7%, a mineração e a extração em pedreiras avançaram 16,4% e a agropecuária teve alta de 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, enquanto as importações caíram 8,6%. Em contrapartida, a indústria manufatureira recuou 2,1%. No primeiro trimestre, a indústria de transformação havia registrado queda de 1,7%, e o comércio varejista, de 0,3%.

A inflação também desacelerou durante o governo de Javier Milei. O índice oficial, que chegou a quase 290% no acumulado de 12 meses, caiu para cerca de 30% nos dois primeiros anos da gestão. Em agosto de 2026, a inflação mensal ficou em 1,7%, o menor resultado desde junho de 2025. O período foi marcado por cortes de gastos públicos, retirada de subsídios e outras medidas de austeridade.

A melhora dos preços, porém, não foi acompanhada por uma redução contínua da pobreza. A parcela da população abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre de 2026. O levantamento do Indec, feito em 31 aglomerados urbanos, estima que 9,7 milhões de pessoas estavam nessa condição. Foi a primeira alta do indicador em dois anos.

A extrema pobreza também aumentou, de 1,9 milhão para 2,2 milhões de pessoas. A proporção subiu de 6,3% para 7,5% da população pesquisada. Para o Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de atender às necessidades diárias de energia e proteína.

O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período do ano anterior. A estimativa é de aproximadamente 1,8 milhão de desempregados nos 31 aglomerados urbanos analisados. Quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem vínculo formal de emprego.

Os dados sobre empresas também indicam pressão sobre a atividade doméstica. O número de empregadores com ao menos um funcionário registrado no sistema de seguro contra acidentes caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. O cenário combina inflação mais baixa e crescimento do PIB com dificuldades em setores dependentes do mercado interno e na melhoria das condições de vida.