Os eleitos nas eleições de 2026 deverão lidar com desafios em infraestrutura, economia e cultura, segundo especialistas ouvidos pela Rádio Câmara em uma série especial sobre o pleito. Entre as questões citadas estão a definição de prioridades para o uso de recursos públicos, a formulação de políticas públicas e a atração de investimentos em um cenário de restrições fiscais.
Na infraestrutura, o consultor legislativo Alessandro Reichert apontou a baixa capacidade de investimento como o principal gargalo do setor. Ele defendeu a priorização de obras estruturantes, como ferrovias e hidrovias. Dados da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base indicam investimentos de cerca de R$ 280 bilhões no ano passado, equivalentes a aproximadamente 2% do PIB, enquanto o setor estima necessidade de pelo menos o dobro. Segundo Reichert, 80% desse montante vieram de recursos privados.
Na economia, a professora da Fundação Getulio Vargas Carla Beni destacou o aumento da dívida pública, o endividamento das famílias e o custo de vida. Ela citou como medidas necessárias o aumento real do salário mínimo, o reforço do Sistema Único de Saúde e novos investimentos em infraestrutura. A economista também defendeu promessas realistas e a atuação do Estado como indutor de investimentos e inovação.
Na cultura, o consultor legislativo Renato Gilioli afirmou que o desafio será manter mecanismos de financiamento que ampliem o acesso aos recursos para estados e municípios, especialmente fora dos grandes centros. De acordo com dados do IBGE mencionados pela Câmara, o setor movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano, aproximadamente 3% do PIB, e emprega quase 6 milhões de pessoas. Gilioli também disse que cada R$ 1 investido em cultura gera cerca de R$ 1,70 de retorno à economia.


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