Cães de raças grandes podem envelhecer mais rapidamente e viver menos do que os de pequeno porte por causa de alterações mais intensas no controle da atividade dos genes. Essa é a hipótese apresentada por um estudo publicado na revista Science, que analisou o DNA de 864 animais participantes do Dog Aging Project.
A pesquisa se concentrou nos chamados “genes saltadores”, trechos do DNA capazes de fazer cópias de si mesmos e ocupar novas posições no material genético. Em condições normais, sua atividade é regulada por marcas químicas. Com o avanço da idade, parte desse controle diminui, especialmente em regiões associadas ao LINE1, um tipo de gene saltador.
Nas raças gigantes, a perda dessas marcas ocorreu, em média, 35% mais rapidamente a cada ano do que nas raças pequenas. Mais de 40% das regiões relacionadas ao LINE1 perderam metilação ao longo do envelhecimento. A metilação do DNA funciona como um mecanismo de controle da atividade dos genes sem modificar a sequência do material genético.
Quando essa regulação é reduzida, os genes saltadores podem se tornar mais ativos e provocar alterações no DNA. Processos desse tipo já foram relacionados ao envelhecimento, ao câncer e a outras doenças. Os pesquisadores afirmam, no entanto, que ainda não é possível determinar se a perda de metilação acelera o envelhecimento ou se é uma consequência dele.
O estudo também identificou diferenças entre machos e fêmeas em regiões do cromossomo X, mas os autores consideram prematuro estimar a influência dessas alterações. A investigação pode contribuir para o entendimento da longevidade dos cães e de mecanismos semelhantes em outros mamíferos, incluindo os seres humanos.


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