Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno da eleição presidencial brasileira, mas não alcançou mais da metade dos votos e terá de disputar uma nova rodada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de outubro. Com 98,81% das urnas apuradas, o candidato do Partido Liberal registrava 47,24%, ante 44,91% de Lula.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio recebeu o apoio do pai, que está impedido de concorrer e cumpre pena de 27 anos por ter planejado uma tentativa fracassada de golpe após a derrota na eleição anterior. Flávio prometeu conceder anistia ao pai e aos apoiadores responsabilizados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios públicos foram depredados em Brasília.

O Partido Liberal também elegeu, nos resultados parciais, o maior número de governadores, senadores e deputados federais. O desempenho indica que a legenda deverá ampliar sua influência no Congresso, embora a composição final ainda dependa da conclusão da apuração.

A disputa voltou a dividir o eleitorado em torno de temas como soberania, segurança pública, economia e corrupção. Lula tem maior apoio entre eleitores de baixa renda, mulheres, católicos e moradores do Nordeste. Flávio é mais forte no Sul, entre eleitores de maior renda e cristãos evangélicos.

Na área de segurança, Flávio defende classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas e construir presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador. Lula tem criticado a classificação feita pelos Estados Unidos e apresentado medidas voltadas ao combate às redes financeiras do crime organizado, à investigação de homicídios e ao sistema penitenciário.

A economia também ocupou posição central na campanha. Lula destacou programas sociais como o Bolsa Família, investimentos em universidades, centros de dados e minerais estratégicos, além de medidas de proteção ambiental. Flávio propôs um limite para a dívida pública, cortes de gastos, mudanças nos programas sociais e reforço do setor de minerais críticos.

As relações com os Estados Unidos e a China foram outro ponto de divergência. Uma eventual vitória de Flávio poderia aproximar o Brasil da coalizão norte-americana contra o narcotráfico, enquanto o candidato afirmou que pretende manter uma relação economicamente pragmática com a China, principal parceiro comercial brasileiro. A decisão sobre o próximo presidente será tomada no segundo turno.

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