A Paramount Skydance concluiu na terça-feira, 6 de outubro, a fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. Discovery. A nova empresa, batizada de Skydance, reúne estúdios de cinema, parques temáticos e duas das principais marcas jornalísticas dos Estados Unidos: CNN e CBS News.

A operação encerra um processo marcado por ações judiciais movidas por sindicatos e pelos procuradores-gerais de 12 estados americanos. O acordo avançou após a empresa se comprometer a criar um conselho editorial independente para supervisionar as duas redes de notícias.

Mark Thompson continuará como editor-chefe da CNN, enquanto Bari Weiss permanecerá à frente da CBS News. A confirmação foi anunciada na segunda-feira, um ano depois da nomeação de Weiss para o cargo. A permanência de Thompson foi recebida com alívio por jornalistas da CNN, diante dos receios de mudanças profundas na rede após a aquisição.

Ainda não está definido se CNN e CBS News continuarão operando separadamente ou se haverá integração entre as estruturas. Em um comunicado enviado aos funcionários, Thompson afirmou que os detalhes sobre a participação e o funcionamento da CNN dentro da nova companhia ainda não foram finalizados.

O futuro das duas divisões também é afetado pela situação financeira da empresa combinada, que assumirá US$ 80 bilhões em dívidas. A Skydance pretende reduzir custos, ampliar sua presença no streaming e produzir 30 filmes por ano. Nesse contexto, permanecem as preocupações com demissões e consolidação de operações. O contrato de Thompson, segundo informações publicadas pelo The New York Times, termina na primavera do hemisfério norte.

Pelos termos do acordo judicial, a Skydance terá 180 dias para formar o conselho editorial independente. O grupo deverá ser composto por cinco jornalistas escolhidos por David Ellison, diretor-executivo da empresa, e não poderá ter mais de dois integrantes filiados ao mesmo partido político. A companhia, porém, não será obrigada a divulgar publicamente as conclusões do conselho.

Especialistas em liberdade de imprensa questionam a capacidade do mecanismo de proteger a independência editorial. Seth Stern, diretor de defesa da Freedom of the Press Foundation, afirmou que uma reformulação das redações poderia ocorrer durante o prazo de 180 dias e que a exigência de equilíbrio partidário não equivale a um compromisso com a apuração da verdade.

As ações da nova companhia começaram a ser negociadas em Wall Street na terça-feira sob o código SKYD. Desde a abertura dos negócios, o papel acumulava queda de 2,5%.