A economia da Tunísia cresceu e o desemprego geral recuou desde o pico registrado durante a pandemia, mas a população ainda enfrenta perda de poder de compra, inflação elevada nos alimentos e poucas oportunidades para os mais jovens. Quase sete anos após a chegada de Kais Saied à Presidência, o desempenho econômico do país permanece marcado por avanços limitados e fortes restrições fiscais.
A inflação anual atingiu 5,6% em setembro de 2026, ante 5,4% em agosto e 4,8% em janeiro, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Os preços de alimentos e bebidas subiram 8,4% em 12 meses. Entre os itens com maiores altas estão aves, com 16,5%, frutas, com 16,3%, e carne de cordeiro, com 14,6%. A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, ficou em 4,9%.
O impacto é percebido no custo de operação de trabalhadores como o taxista Houssam Oueslati. O óleo de motor que custava cerca de 35 dinares tunisianos em 2018 passou a custar quase 100 dinares em 2026, segundo valores apresentados por ele. Para preservar a renda, Oueslati afirma ter precisado passar mais horas ao volante.
O economista Ridha Chkoundali estima que a inflação média anual tenha sido de 6,8% entre 2015 e 2021 e de 8,1% entre 2021 e 2026. A redução da taxa de inflação, por si só, não recompõe as perdas acumuladas, já que os preços permanecem elevados quando deixam de subir no mesmo ritmo. Em 2025, o Banco Central reduziu duas vezes a taxa básica de juros, levando-a a 7%, mas o crédito mais barato não eliminou a perda de poder aquisitivo.
O Produto Interno Bruto avançou 2,3% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior e 1,4% ante o trimestre anterior. O resultado ficou abaixo da expansão anual de aproximadamente 3,3% projetada na Lei de Finanças de 2026. Para Chkoundali, o crescimento só produz efeitos mais amplos quando se converte em investimento, produção, empregos e renda.
A taxa geral de desemprego caiu de 15,3% para 14,9% em um ano e ficou abaixo dos 17% registrados em 2020. Entre pessoas de 15 a 24 anos, porém, o índice chegou a 35,4%. Entre diplomados universitários, alcançou 26,6%. A dificuldade, para muitos jovens, não está apenas em conseguir uma vaga, mas em encontrar trabalho estável, com renda suficiente para conquistar independência.
O financiamento do Estado também limita a margem de ação do governo. A dívida pública passou de 67,8% do PIB em 2019 para 84,9% em 2024, recuou a 82,1% em 2025 e tem proporção estimada em 83,4% para 2026. O serviço da dívida concorre com salários do setor público, gastos sociais, subsídios e investimentos.
A alta do petróleo ampliou a pressão sobre o orçamento. A Lei de Finanças considerou um preço médio do barril do Brent de US$ 63,30, mas a média até o fim de junho chegou a aproximadamente US$ 92,60. No primeiro semestre, os subsídios aos combustíveis somaram 2,427 bilhões de dinares, equivalentes a 48,6% do valor previsto para todo o ano. No mesmo período, os investimentos públicos totalizaram 1,665 bilhão de dinares, ou cerca de US$ 566,6 milhões. A manutenção dos subsídios protege consumidores no curto prazo, mas reduz recursos disponíveis para investimentos quando o petróleo encarece; cortes rápidos, por outro lado, transfeririam mais custos para famílias e empresas, segundo a análise apresentada no material. Chkoundali também defende que o governo use cenários variados para antecipar mudanças nos preços internacionais e nos custos de financiamento.

