O governo do Iraque voltou a desvalorizar o dinar, elevando de 1.320 para 1.520 dinares o valor oficial de venda de cada dólar por bancos e casas de câmbio. A decisão foi aprovada pelo gabinete após uma recomendação emergencial do ministro das Finanças, Falih al-Sari, e do governador do Banco Central do Iraque.
A mudança ocorreu pouco depois da aprovação do orçamento de 2027, que prevê despesas de 217 trilhões de dinares — cerca de US$ 166 bilhões — e um déficit superior a 40 trilhões de dinares, aproximadamente US$ 30 bilhões. A economia iraquiana depende fortemente das receitas do petróleo, responsáveis por mais de 90% do orçamento federal.
A interrupção do transporte marítimo pelo estreito de Ormuz afetou as exportações iraquianas. O volume chegou a cair 90% durante o conflito iniciado no fim de fevereiro e ficou em 2,34 milhões de barris por dia em agosto, abaixo da média anterior de 3,6 milhões. O primeiro-ministro Ali al-Zaidi afirmou que o país perdeu cerca de US$ 60 bilhões em receitas do petróleo, enquanto as reservas em moeda estrangeira do banco central recuaram de aproximadamente US$ 106 bilhões para US$ 80 bilhões até o fim de agosto.
Para o governo, a desvalorização permite obter mais dinares para cada dólar arrecadado com o petróleo e ajuda a enfrentar o desequilíbrio fiscal. O efeito, porém, é a elevação do custo das importações e a redução do poder de compra. O Iraque importa grande parte dos alimentos, medicamentos e matérias-primas que consome, e parlamentares afirmam que a população já enfrenta aumento de preços, desemprego, impostos, tarifas de importação e atrasos em salários e benefícios públicos.
Dezenas de deputados pediram a reversão da medida e criticaram a falta de explicações prévias do governo e do banco central. O ministro das Finanças e o presidente da autoridade monetária deverão comparecer ao Parlamento para discutir a decisão. Parlamentares também apontaram a diferença crescente entre a cotação oficial e o mercado paralelo, onde muitos iraquianos precisam comprar dólares.
O Iraque já havia recorrido à desvalorização em dezembro de 2020, quando o dinar passou de cerca de 1.182 para 1.450 por dólar após a queda dos preços do petróleo. Em 2023, depois de a moeda chegar a aproximadamente 1.670 dinares por dólar em meio a restrições americanas aos fluxos de moeda, o governo adotou medidas para fortalecê-la e fixou a cotação pública em 1.320 dinares.
Os parlamentares que contestam a decisão atual questionam o impacto da nova cotação sobre as famílias e cobram alternativas, como o corte de gastos considerados desnecessários, para reduzir o déficit sem transferir o custo para os consumidores.


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