O trabalho de Niède Guidon deixou marcas na Serra da Capivara, no Sul do Piauí, tanto na pesquisa arqueológica quanto na vida das comunidades que vivem no entorno do parque. Reconhecida internacionalmente, a arqueóloga franco-brasileira contribuiu para transformar a região em um centro de estudos sobre a ocupação humana das Américas.
Natural de São Paulo, Niède mudou-se para o Piauí e passou décadas dedicada aos sítios arqueológicos da região. Sua atuação foi fundamental para que o Parque Nacional da Serra da Capivara recebesse, em 1991, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade concedido pela Unesco.
Entre as iniciativas associadas ao legado da pesquisadora está um projeto que emprega mais de 60 mulheres como guariteiras, responsáveis pelo controle de acesso ao parque. Para Diana Maria de Assis, uma das trabalhadoras, a atividade representa uma oportunidade de atuar em uma unidade de importância reconhecida e também uma forma de gratidão pelo acolhimento dado por Niède às mulheres.
O vínculo da arqueóloga com a região era tão forte que funcionários do parque passaram a chamá-la de “capivarense”. A arqueóloga e chefe do parque, Marian Rodrigues, afirmou que Niède viveu no local, trabalhou por cerca de 50 anos e criou raízes na terra.
A trajetória da pesquisadora também passou a inspirar músicas, apresentações artísticas e um livro ilustrado por crianças. Para uma das autoras da obra “Niède Guidon: a arqueóloga da humanidade”, a biografia da cientista ajuda a mostrar a meninas e mulheres diferentes possibilidades de realização por meio da ciência.
Niède Guidon morreu aos 92 anos, em 4 de junho de 2025, em São Raimundo Nonato, no Sul do Piauí. Ela dedicou décadas à preservação do patrimônio arqueológico brasileiro e à consolidação da Serra da Capivara como referência internacional.


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