O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou três lideranças políticas do Nordeste à coordenação nacional de sua campanha no segundo turno das eleições. Camilo Santana (PT-CE) ficará responsável pela articulação política; Rui Costa (PT-BA) coordenará a agenda; e Rafael Fonteles (PT-PI) assumirá a comunicação.

A mudança foi definida em meio à avaliação, dentro do PT, de que a região concentra o maior potencial de ampliação da votação de Lula. Em diferentes estados nordestinos, o presidente teve desempenho inferior ao registrado na eleição de 2022. A campanha tenta reverter a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno.

Os três novos coordenadores participaram de reuniões com Lula ao longo dos últimos dias. Edinho Silva, presidente nacional do PT, continuará como coordenador-geral, mas passará a dividir as decisões com os novos integrantes. A cúpula da campanha informou que os demais responsáveis não serão afastados.

Em uma plenária com parlamentares do PT, Lula avaliou que esta foi a campanha mais desorganizada de sua trajetória eleitoral. A declaração provocou uma disputa interna sobre os responsáveis pelos problemas identificados. Edinho é criticado por concentrar decisões e manter o foco no legado do governo, enquanto o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, é questionado por priorizar temas como soberania e terras raras em vez de assuntos ligados ao cotidiano dos eleitores.

A estratégia de comunicação digital também foi alterada. Influenciadores e parlamentares recém-eleitos passaram a atuar em uma sala instalada no comitê de campanha, em Brasília. Lula ampliou a produção de vídeos e o envio de mensagens de voz a apoiadores, além de adotar uma abordagem mais incisiva sobre segurança pública e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em reunião com integrantes do PT, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o protagonismo atribuído à primeira-dama Janja da Silva e defendeu a inclusão do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na cúpula da campanha. Aliados também reclamam que Lula estaria menos aberto a sugestões durante a disputa.