A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos deve criar novos obstáculos para a política externa do presidente Donald Trump. A partir de janeiro de 2027, os democratas retomarão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, formando um Congresso de oposição ao governo republicano.
Trump continuará responsável pela condução da política externa e pelo comando das Forças Armadas, mas terá de negociar com parlamentares menos inclinados a respaldar suas decisões. Entre os principais pontos de tensão estão a guerra contra o Irã, a ajuda militar a Israel e à Ucrânia e a política de pressão sobre países latino-americanos.
A extensão da mudança dependerá de como a nova maioria democrata usará suas prerrogativas. O Congresso poderá convocar autoridades, exigir informações, investigar decisões da Casa Branca e condicionar a liberação de recursos, mas não terá poder para substituir automaticamente as escolhas do Executivo.
Para especialistas em relações internacionais, o principal efeito será o aumento da negociação entre os Poderes. A nova composição também foi associada à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a inflação, os preços dos combustíveis, as operações de imigração e o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos internacionais.
A ofensiva militar contra o Irã, iniciada em fevereiro de 2026, tornou-se um dos focos da disputa. O conflito elevou os gastos públicos e os preços dos combustíveis, além de alimentar críticas às prioridades do governo. Com maioria nas duas Casas, os democratas poderão questionar a continuidade das operações e pressionar por maior transparência sobre seus custos e objetivos.
O orçamento de defesa deve ser um dos principais instrumentos de pressão do Congresso. Os parlamentares podem dificultar a manutenção de uma operação militar ao impor condições à liberação de verbas destinadas à produção de armamentos, ao deslocamento de tropas e ao abastecimento de navios.
A assistência militar a Israel também poderá ser reavaliada por parlamentares democratas críticos ao que consideram apoio incondicional ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Trump afirmou que pretende cortar o financiamento ao governo israelense, segundo as informações apresentadas no caso.
Na Ucrânia, a nova configuração do Congresso pode aumentar a pressão para que Trump mantenha o apoio militar e financeiro a Kiev, além das sanções contra Moscou. Desde o início do segundo mandato, o presidente reduziu o envolvimento dos Estados Unidos no conflito e pressionou Volodymyr Zelensky a considerar concessões territoriais à Rússia. A avaliação de especialistas é que a oposição poderá dificultar novos cortes nos recursos destinados à defesa ucraniana.


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