O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte alta ao resultado do primeiro turno das eleições. O Ibovespa subiu mais de 7% e encerrou o pregão aos 206.911,89 pontos, após atingir a máxima histórica de 209.605,70 pontos. O dólar recuou mais de 4%, e os juros futuros chegaram a cair quase 1 ponto percentual.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A direita também obteve maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado, resultado que ampliou, entre investidores, a expectativa de mudança na condução da política econômica a partir de 2027.
Relatório do Banco Pine apontou que a reação inicial favorável dos ativos refletiu a percepção de que Flávio teria maior disposição para conter despesas e enfrentar o desequilíbrio fiscal. A instituição, porém, afirmou que a manutenção da valorização dependerá do detalhamento das propostas econômicas e dos sinais sobre uma eventual equipe de governo.
O Morgan Stanley projetou que o Ibovespa poderia alcançar 250 mil pontos em um cenário otimista, mas classificou os desafios fiscais do Brasil como substanciais. O banco citou, entre outros fatores, a desaceleração da economia e o elevado número de empresas em processo de reestruturação de dívidas. Para a instituição, o mercado financeiro tende a reagir mais rapidamente do que a economia real a uma eventual recuperação.
J.P. Morgan elevou sua recomendação de compra para ativos brasileiros e avaliou que a valorização do real poderia abrir espaço para cortes mais frequentes e maiores na taxa Selic. O UBS também considerou que o resultado eleitoral fortaleceu a possibilidade de um cenário de ajuste fiscal.
No plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio defende um “tesouraço”, com redução de despesas, enxugamento da máquina pública e diminuição de impostos sobre o setor produtivo. O documento, no entanto, não detalha quais medidas seriam adotadas para equilibrar as contas públicas.
A equipe econômica da campanha estuda uma proposta de emenda constitucional voltada ao corte de gastos, com estimativa de redução de R$ 300 bilhões. Interlocutores tratam o valor como necessário para estabilizar a dívida pública, que supera 80% do Produto Interno Bruto (PIB), mas ainda não foi especificada a origem dos cortes.
Para analistas, o mercado concedeu ao candidato o benefício da dúvida, mas deverá exigir informações mais precisas sobre o programa econômico, a composição da equipe e a governabilidade. A avaliação é que a euforia inicial só poderá se sustentar com a apresentação de projetos concretos e sinais claros sobre a condução das contas públicas.


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