O Ibovespa disparou mais de 7% na abertura do pregão de segunda-feira (5) e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 200 mil pontos. No mesmo movimento, a curva de juros futuros caiu fortemente e o dólar recuou para menos de R$ 5.

A reação positiva foi associada à leitura do mercado sobre o resultado do primeiro turno, que apontou vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) e um Congresso majoritariamente favorável ao candidato. Para setores do mercado financeiro, esse cenário aumenta a possibilidade de aprovação de medidas econômicas de orientação liberal em um eventual governo.

Apesar da alta dos ativos, permanecem dúvidas sobre o espaço que a agenda econômica teria em uma possível administração de Flávio. A avaliação também envolve as lacunas e incertezas presentes nas propostas dos dois candidatos que disputarão o segundo turno.

O economista Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral, analisou os desafios que Flávio Bolsonaro ou Lula poderão enfrentar na condução da economia brasileira. Entre os temas discutidos estão as contas públicas, as prioridades econômicas e as dificuldades para transformar propostas em medidas de governo.

A reação dos investidores ocorre em um contexto de pressão sobre os candidatos em relação ao ajuste fiscal. A expectativa do mercado, no entanto, não elimina as incertezas sobre a condução da política econômica após a definição das urnas.