Min Aung Hlaing chegou à Malásia nesta quarta-feira (7), em sua primeira visita ao país desde o golpe militar de 2021. O líder de Mianmar deve permanecer por dois dias e se reunir com o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim.

A repatriação de milhares de cidadãos de Mianmar está entre os principais temas das conversas. O governo da Malásia afirmou que busca o retorno “voluntário, digno e seguro” de pessoas de todas as etnias que estão no país sem documentação regular. Uma porta-voz de Min Aung Hlaing também citou a repatriação como parte da agenda da visita.

A iniciativa ocorre apesar de alertas das Nações Unidas e de organizações de direitos humanos sobre os riscos enfrentados por pessoas devolvidas a Mianmar, que permanece mergulhado em uma guerra civil. O conflito começou após o golpe liderado por Min Aung Hlaing e, segundo estimativas mencionadas na fonte, já matou cerca de 100 mil pessoas e deslocou mais de 3,5 milhões.

Anwar afirmou que a Malásia deportou cerca de 10 mil cidadãos de Mianmar desde janeiro. O primeiro-ministro disse que as autoridades mianmarenses deram garantias de que os deportados não seriam prejudicados. Em um podcast no mês passado, ele declarou que convidaria Min Aung Hlaing para uma visita oficial caso Mianmar aceitasse o retorno de milhares de refugiados rohingyas.

A pressão sobre migrantes sem documentação e refugiados aumentou na Malásia após uma onda de discursos de ódio e desinformação na internet. A comunidade rohingya foi particularmente afetada. Muitos de seus integrantes fugiram da ofensiva militar de 2017 no estado de Rakhine.

A Malásia abriga cerca de 215,6 mil refugiados e solicitantes de asilo registrados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, incluindo aproximadamente 126 mil rohingyas. O país, porém, não é signatário da Convenção da ONU sobre Refugiados e classifica essas pessoas como migrantes sem documentação regular.

Desde que assumiu formalmente a Presidência de Mianmar, em abril, Min Aung Hlaing visitou outros países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, como Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, além de China, Índia, Rússia e Belarus. A chegada à Malásia ocorre em um período de retomada gradual de contatos internacionais com o governo mianmarense, após uma eleição organizada pelos militares e amplamente criticada.