Uma produção de quase 3 mil quilates de esmeraldas foi vendida em um leilão no vale de Panjshir, no Afeganistão. A negociação, realizada em um salão do governo provincial, reuniu compradores de Cabul e do exterior interessados nas pedras verdes extraídas em pequenas minas da região.
Esta foi a 23ª venda do tipo realizada no país neste ano. O valor acumulado das esmeraldas comercializadas chegou a cerca de 400 milhões de afeganis, o equivalente a US$ 6,12 milhões — uma alta expressiva em relação ao ano anterior.
A atividade é uma das principais fontes de trabalho em Panjshir, uma área de vales íngremes e terreno rochoso onde há poucas empresas ou fábricas. Um funcionário responsável pela mineração na província afirmou que mais de 15 mil pessoas estão empregadas no setor e que outras 2 mil áreas com potencial de exploração já foram identificadas.
Apesar da procura internacional, a extração continua sendo feita em condições precárias. Dentro das minas, trabalhadores usam pás, picaretas, furadeiras e outras ferramentas simples para avançar em túneis escuros. Um minerador relatou que a ausência de equipamentos modernos dificulta o trabalho e aumenta os desafios enfrentados diariamente.
A falta de estrutura também limita o processamento das pedras. O governador de Panjshir afirmou que existem propostas para criar um mercado internacional de minerais preciosos no Afeganistão e instalar máquinas que permitam processar e padronizar as esmeraldas antes da exportação. Atualmente, não há um centro padronizado nem uma unidade adequada para esse tipo de operação na província.
Desde que o Talibã assumiu o poder, em 2021, o grupo afirma ter fechado acordos com dezenas de investidores, principalmente da China, da Rússia e do Irã, para a exploração de pedras preciosas e outros minerais. Dados do Banco Mundial indicam que as receitas do Estado cresceram 22% na comparação anual em abril e maio, impulsionadas por leilões de minas, petróleo e outros recursos.
Os trabalhadores, porém, ainda enfrentam riscos de deslizamentos, avalanches, inundações e queda de pedras. Autoridades locais defendem a chegada de equipamentos adequados para tornar a extração mais segura e profissional, além de aumentar os benefícios econômicos da atividade para a população afegã.


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