Associada às grandes epidemias da Idade Média, a peste continua existindo e mantém alto potencial de gravidade. Sem tratamento, a infecção causada pela bactéria Yersinia pestis pode levar à morte em quase 100% dos casos, além de provocar danos em diferentes órgãos e hemorragias.
A forma mais comum é a peste bubônica, transmitida principalmente por pulgas que picam roedores infectados e depois seres humanos. A bactéria se concentra nos gânglios linfáticos, provocando inchaço e dor na região.
Quando o microrganismo chega diretamente à corrente sanguínea, pode causar a peste septicêmica, uma infecção grave do sangue. Já a peste pneumônica afeta os pulmões e pode ser transmitida por gotículas ou aerossóis liberados por animais ou pessoas infectadas. Essa é a única forma em que a transmissão direta entre seres humanos é considerada provável.
A doença é rara atualmente, mas ainda são registrados até 3 mil casos por ano no mundo, segundo o Instituto Robert Koch, da Alemanha. As regiões mais afetadas são a República Democrática do Congo, Uganda e Madagascar. No país africano, onde ocorreu o último grande surto, em 2017, são registradas entre 250 e 500 infecções por ano. Casos também aparecem ocasionalmente no oeste dos Estados Unidos.
Na Europa, os últimos registros ocorreram em 1945, na ilha francesa da Córsega. O biólogo molecular Holger Scholz, do Instituto Robert Koch, relaciona o desaparecimento da doença no continente à redução da circulação de roedores infectados dentro das residências. Durante a Idade Média, a convivência entre pessoas, ratos e pulgas favorecia a transmissão.
A peste provocou uma das maiores tragédias sanitárias da história. Entre 1347 e 1353, matou cerca de 25 milhões de pessoas e contribuiu para a morte de aproximadamente 60% da população europeia ao longo de uma pandemia que durou cerca de 500 anos.
Vestígios da Yersinia pestis foram encontrados em esqueletos com mais de 5.500 anos. Estudos indicam que as formas mais antigas da bactéria ainda não tinham os genes necessários para a transmissão por pulgas. Uma mudança decisiva ocorreu no final da Idade do Bronze, quando o desenvolvimento do gene ymt permitiu que o patógeno passasse a usar esses insetos como vetores, ampliando sua capacidade de disseminação.
Pesquisadores como o arqueólogo e bioquímico Ben Krause-Kyora, da Universidade de Kiel, investigam como a bactéria evoluiu e adquiriu fatores de virulência que a transformaram de um patógeno associado a roedores em uma ameaça capaz de provocar grandes epidemias. A identificação rápida da doença é considerada essencial porque seus sintomas iniciais podem se parecer com os de infecções comuns.


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