Internacional "Plano de paz” de Gaza tem bombas diárias 3 anos após início da guerra Israel veta retorno de palestinos do comitê de reconstrução a Gaza Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil Publicado em 07/10/2026 - 07:35 | 00:00 --> Brasília © Reuters/Jehad Alshrafi/Arquivo/Proibida reprodução Versão em áudio O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 completa três anos, nesta quarta-feira (7), com o “plano de paz” mediado pelos Estados Unidos (EUA) sem avançar na Faixa de Gaza, enquanto Israel mantém 60% do território palestino ocupado.
O relatório sobre Gaza do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), publicado na segunda-feira (5), destacou que são diários os bombardeios aéreos de Israel contra áreas densamente povoadas. Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local. Com isso, são 1.431 mortos desde o anúncio de cessar-fogo há cerca de um ano, no dia 10 de outubro de 2025, o que representa quase quatro óbitos por dia.
A professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) Isabela Agostinelli avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que a situação dos quase 2 milhões de palestinos “não melhorou em nenhum sentido” com o suposto cessar-fogo. “A situação humanitária ainda é catastrófica. Pouca ajuda humanitária sendo permitida de entrar por parte de Israel, que continua sendo o ator soberano que controla as fronteiras. O Conselho de Paz presidido por Trump não trouxe paz em nenhum sentido, não há perspectiva de reconstrução de Gaza”, afirmou a especialista.
Sol nasce a oeste do campo de refugiados de Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza, em 6 de outubro de 2026, véspera do terceiro aniversário do início da guerra, ocorrido em 7 de outubro de 2023 - Foto: Reuters/Hassan al-Jedi/Arquivo/Proibida reprodução O Ocha da ONU destaca que a produção diária de refeições quentes em Gaza diminuirá “significativamente” a partir deste mês devido à falta de financiamento. Isso porque foram transferidos apenas 40% dos US$ 4 bilhões solicitados para ajuda humanitária na Palestina ocupada. “Espera-se que 1,4 milhão de pessoas (67% da população de Gaza) enfrentem níveis de insegurança alimentar aguda entre julho e dezembro”, calcula o Ocha .
Desarmamento do Hamas Professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bruno Huberman explicou à Agência Brasil que um dos impasses no “plano de paz” do presidente dos EUA, Donald Trump, é o fato de o Hamas apenas aceitar se desarmar depois que Israel deixar Gaza, o que não tem ocorrido. Professor de relações internacionais da PUC-SP Bruno Huberman - Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil “Para Israel desocupar Gaza, eles falam que o Hamas tem que se desarmar. A gente está nesse impasse, e os EUA não estão se colocando para destravar esse impasse”, comentou o coordenador do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da PUC-SP.
Bruno Huberman acrescentou que Israel impede o retorno a Gaza do “comitê tecnocrático” de palestinos, sem ligação com partidos, que seria responsável por monitorar a reconstrução do território. “Esses palestinos foram ao Cairo para discutir a reconstrução de Gaza em novembro do ano passado, quando Trump anunciou o plano de paz. Desde então, estão exilados no Egito porque Israel proíbe a sua entrada em Gaza. Isso é um exemplo de como Israel impede qualquer esforço para reconstrução”, destacou. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, tem destacado que a transferência do governo civil do Hamas para o Comitê Nacional para Administração de Gaza (NCAG) só seria aceita com a total desmilitarização dos grupos palestinos do enclave.
Milícias anti-Hamas A professora Isabel Agostinelli lembra que, enquanto o impasse segue congelado, milícias estão sendo financiadas por Israel em Gaza para disputar territórios com o Hamas. Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) - Foto: Fecap/Divulgação “Esse cessar-fogo foi uma falácia. Claro que as bombas deixaram de cair de forma constante, são menos bombas caindo em Gaza, mas os palestinos continuam sendo mortos, direta ou indiretamente, pelas políticas israelenses levadas a cabo naquela região”, concluiu.
Em junho de 2025, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reconheceu que apoia grupos armados em Gaza que se opõem ao Hamas para “poupar a vida de soldados israelenses”, segundo revelou o jornal The Times of Israel .


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