O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não havia indícios concretos de interferência estrangeira no processo eleitoral. Segundo ele, as equipes responsáveis pelo monitoramento de riscos internacionais não identificaram esse tipo de ocorrência, e também não havia, até aquele momento, relatório da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou de outros órgãos parceiros apontando risco relacionado ao tema.

Nunes Marques informou que 1.121 urnas eletrônicas haviam sido substituídas durante a votação, o equivalente a 0,2% do total. Não houve votação manual no país, segundo o ministro. Oscilações no fornecimento de energia estiveram entre as principais causas das trocas. No Paraná, onde fortes chuvas e ventos afetaram o fornecimento de energia, geradores e baterias permitiram a conclusão da votação e a transmissão dos dados.

O presidente do TSE afirmou que a substituição de equipamentos não comprometeu a votação. Quando uma urna apresenta problema, explicou, os eleitores passam a votar em outro equipamento, e os votos registrados são apurados da mesma forma que aqueles inseridos na urna substituta. Nunes Marques disse que não houve problema significativo relacionado às informações registradas.

Sobre a circulação de conteúdos falsos, o ministro afirmou que a maior parte das ocorrências identificadas ao longo do dia já era conhecida, mapeada e monitorada pelo tribunal. Desde 16 de agosto, haviam sido registradas cerca de 2.800 ocorrências relacionadas à desinformação. Até as 13h daquele domingo, foram contabilizados 453 apontamentos. Na avaliação apresentada por Nunes Marques, praticamente não surgiram conteúdos novos ou graves capazes de provocar desequilíbrio no pleito.

Um balanço parcial divulgado pelo ministro apontou ainda que 59 pessoas haviam sido conduzidas por suspeita de crime eleitoral, das quais 25 estavam em situação de flagrante. Mais de R$ 380 mil em espécie foram apreendidos naquele dia, elevando para mais de R$ 30 milhões o total apreendido desde janeiro, conforme os dados apresentados por Nunes Marques.

Questionado sobre possíveis contestações ao resultado, o presidente do TSE afirmou que candidatos a diferentes cargos poderiam recorrer à Justiça, em uma tradição de judicialização no país. Ele citou processos relacionados a abuso de poder político e econômico e diferenciou essas ações de questionamentos sobre o sistema eletrônico de votação ou a condução das eleições. Nunes Marques declarou que, até aquele momento, o sistema e a organização do pleito funcionavam com normalidade e transparência, com acompanhamento de órgãos governamentais e da sociedade civil.