O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu no referendo de 2016 que decidiu a saída do país da União Europeia. Segundo ele, a resposta obtida ao questionar o caso foi “clara”: houve interferência.

A declaração foi feita em entrevista ao podcast The Rest Is Politics e representa, segundo o relato, a primeira vez que um premiê britânico reconhece publicamente a interferência russa na votação do Brexit. Burnham não apresentou evidências nem detalhou como a suposta atuação teria ocorrido.

O premiê disse que decidiu registrar o tema de forma explícita para alertar eleitores da Alemanha e da França sobre a possibilidade de influência política atribuída a adversários externos, especialmente a Rússia. Ele também afirmou ter conversado com o chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre possíveis vínculos entre Moscou e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha durante um encontro em Berlim.

Em um relatório de 2020, o Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico afirmou que o governo não havia solicitado uma avaliação aprofundada sobre uma possível interferência russa no referendo de 2016. O documento confirmou, porém, que a Rússia havia interferido no referendo de independência da Escócia realizado em 2014.

O governo russo nega repetidamente ter interferido em eleições ou referendos de democracias ocidentais e acusa o Reino Unido de manter uma postura de “histeria antirrussa”. Burnham também já criticou a saída da União Europeia e defendeu que o país reavalie opções para uma futura relação com o bloco, incluindo a possibilidade de voltar a integrá-lo.