Uma nova onda de queimadas no Amazonas já contabiliza mais de 1,9 mil focos identificados em outubro. A fumaça encobre municípios, levou à suspensão de aulas e aumentou a procura por atendimento médico, enquanto uma força-tarefa apura a possibilidade de incêndios provocados intencionalmente.
Manaus está coberta por uma névoa de fuligem, mas Careiro da Várzea, Itacoatiara, Parintins e Autazes enfrentam os efeitos mais críticos. Em áreas de mata, brigadistas abrem caminhos até os pontos de maior intensidade do fogo e usam mangueiras para tentar resfriar o terreno e impedir que as chamas atravessem estradas.
A operação também conta com aviões cargueiros, drones equipados com câmeras termais e helicópteros. As aeronaves ajudam a localizar os focos, lançar água e transportar equipes para regiões isoladas. O deslocamento por terra, porém, continua difícil e exige a abertura de trilhas dentro da floresta.
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que os incêndios no estado têm origem humana e são usados para provocar desmatamento e degradação. O secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Anésio Brito de Paiva, disse que informações reunidas pela inteligência e relatos de brigadistas apontam para a atuação de criminosos em mais de 95% dos casos.
As comunidades tradicionais estão entre as áreas afetadas. Na Aldeia São Félix, o tuxaua Ilair Mura relatou medo entre os moradores, além de casos de inalação de fumaça e crises de ansiedade. Ele também lamentou a destruição de áreas usadas para caça, plantio e coleta de frutas, que têm importância material e espiritual para o povo Mura.
Em Autazes, o hospital e as unidades básicas de saúde operam no limite por causa do aumento de pacientes com tosse, falta de ar e cansaço. A média diária de atendimentos respiratórios, que era de um ou dois casos, subiu para nove ou dez, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Bebês também foram levados a unidades de atendimento. Uma criança de três meses precisou fazer inalação após apresentar febre, coriza e tosse. Moradores dizem que passaram a usar umidificadores em casa e evitar sair à noite, quando a fumaça torna o ar mais difícil de respirar e provoca ardência nos olhos.
O avanço do fogo ocorre apesar de dados recentes do Inpe indicarem redução superior a 70% no desmatamento da Amazônia em quatro anos. A área desmatada caiu de cerca de 11 mil quilômetros quadrados em 2022 para aproximadamente 3 mil quilômetros quadrados em 2026, considerando o período de agosto de 2025 a julho de 2026. Na paisagem atingida, moradores relatam a perda da matéria orgânica do solo e de fontes tradicionais de alimento.


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