Uma rede formada por cerca de 500 fã-clubes de artistas pop passou a divulgar conteúdos favoráveis à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. As páginas, que reúnem seguidores de nomes como Taylor Swift, The Weeknd, Harry Styles e BTS, estimam alcançar aproximadamente 20 milhões de pessoas.

Além de compartilhar materiais produzidos pela campanha, os perfis também criam vídeos curtos e montagens conhecidas como “edits”, que combinam imagens, músicas e textos. A estratégia tem como foco ampliar o diálogo com o eleitorado jovem no ambiente digital.

Breno Scarpate Hochileitner, administrador do portal Katy Cats Updates, afirmou que a articulação surgiu de maneira espontânea, sem uma convocação inicial da campanha. Segundo ele, a mobilização está relacionada à defesa de direitos das minorias e da cultura.

Lula enviou um áudio aos grupos para agradecer a iniciativa e pediu apoio dos chamados “fandoms” na reta final da disputa eleitoral. O presidente também afirmou que faltavam 19 dias para a eleição no momento da mensagem.

A aproximação entre os fã-clubes e o governo já havia ocorrido em agosto, quando administradores foram convidados para um evento no Palácio do Planalto sobre medidas contra o cambismo digital e regras para venda e transferência de ingressos. Na ocasião, Lula assinou um decreto com restrições à compra em massa e à revenda especulativa, além de regras sobre a distribuição gratuita de água em grandes eventos e a entrada de garrafas com água potável.

A campanha de Lula também montou, em seu comitê em Brasília, uma sala voltada à articulação com jovens eleitos e influenciadores de esquerda. O grupo se reuniu com o presidente e incluiu deputados federais eleitos como Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR).

A iniciativa foi criticada pelo deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). Ele afirmou que páginas de fofoca estariam coordenando publicações para atacar Flávio Bolsonaro e favorecer Lula, questionou se a articulação poderia ser comparada a um “gabinete do ódio” e perguntou se haveria remuneração pelo conteúdo. A campanha petista nega e diz que o movimento partiu organicamente dos próprios perfis.