A estiagem reduziu o nível do rio Madeira e mudou a rotina de comunidades ribeirinhas de Porto Velho, em Rondônia. Moradores relatam dificuldades para obter água potável, transportar produtos agrícolas e chegar aos pontos de embarque do transporte escolar.
Monitoramentos do SipamHidro, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indicaram que o rio estava mais de um metro abaixo do nível esperado para o período. Em uma medição, o Madeira marcou 2,62 metros, ante uma média prevista de 3,9 metros.
Na comunidade Bom Será, moradores não têm um poço próprio para abastecer todas as famílias. A alternativa disponível atende apenas parte da população e, conforme relatos locais, não fornece água potável. A preocupação é que o poço artesiano usado pelos moradores também seque.
A redução do nível do rio também prejudicou a produção agrícola. Uma agricultora da região afirmou que passou quase quatro meses sem conseguir retirar bananas do plantio. Parte da produção estragou porque o transporte até a margem ficou mais difícil.
A estiagem formou grandes bancos de areia em trechos onde antes havia água. Na comunidade Brasileira, uma moradora que vive há 41 anos no local disse que a paisagem mudou e demonstrou preocupação com o futuro do curso d’água.
O transporte escolar também foi afetado. Um estudante da comunidade precisa caminhar de quatro a cinco quilômetros até o ponto onde embarca para a escola em São Carlos, segundo relato da família.
A Prefeitura de Porto Velho decretou situação de emergência por 180 dias. A medida, classificada como desastre de nível II, permite solicitar apoio dos governos estadual e federal para o fornecimento de água potável por caminhões-pipa e embarcações, além de facilitar contratações e compras emergenciais.
Segundo a Defesa Civil Municipal, cerca de 22,9 mil pessoas são afetadas pela seca em 85 localidades, incluindo áreas rurais, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. O órgão informou que essas populações devem receber assistência durante o período de estiagem. O diretor executivo da Defesa Civil atribuiu o agravamento das condições neste ano à influência do fenômeno El Niño, que já vinha sendo monitorado desde o início do ano uma vez que a estiagem ocorre regularmente na região entre julho e novembro.


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