Internacional Sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio Analistas apontam que data foi “ponto de virada” na história regional Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil Publicado em 07/10/2026 - 08:02 | 00:00 --> Brasília © Reuters/Arquivo/Proibida reprodução Versão em áudio Nos três anos após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, completados nesta quarta-feira (7), o Oriente Médio registrou uma sucessão de acontecimentos que modificou a correlação de forças na instável Ásia Ocidental por meio de guerras e da criação e do desmonte de alianças militares e políticas.

O ataque do Hamas contra vilas ao Sul de Israel, que tirou a vida de cerca de 1,2 mil pessoas, foi seguido de uma resposta militar israelense classificada por especialistas como um genocídio , que destruiu cidades inteiras de Gaza, como Rafah e Khan Yunis, e causou a morte de mais de 74 mil pessoas. Trabalhadores realizam obras de restauração no histórico Mercado de Grãos, gravemente danificado por ataques israelenses, em Khan Yunis, no Sul da Faixa de Gaza, em 4 de outubro de 2026 - Foto: Reuters/Abdallah F.s.

Alattar/Arquivo/Proibida reprodução Nesse intervalo de três anos, houve a queda do governo de Bashad al-Assad, na Síria, a guerra de Israel no Líbano com o Hezbollah, a guerra de Israel e Estados Unidos (EUA) contra o Irã , o fechamento do Estreito de Ormuz e, mais recentemente, o retorno do conflito entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Huberman avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que o 7 de outubro foi um “ponto de virada” na história da região e reorganizou as alianças políticas e militares do Oriente Médio. “O bloco pró-EUA não existe mais porque teve um rompimento entre a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos [EAU] com a guerra contra o Irã, onde a Arábia Saudita tentou manter uma agressividade não tão aberta, enquanto os EAU se juntaram a Israel para participar da agressão contra o Irã, ao lado dos EUA”, afirmou.

Um dos resultados do rompimento dessa aliança foi a saída dos Emirados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), cartel de nações petroleiras que tem na Arábia Saudita a principal liderança. Acordo militar de Meca Com o prolongamento da guerra contra o Irã, a Turquia, a Arábia Saudita e o Paquistão formaram, em 7 de agosto de 2026, o chamado de Acordo de Defesa Conjunta de Meca , que prevê que uma agressão a um desses países seria uma ação contra todos do grupo. Professor de relações internacionais da PUC-SP Bruno Huberman - Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil Bruno Huberman avalia que a constituição desse bloco militar islâmico é um desdobramento do 7 de outubro.

Apesar de formada por aliados dos EUA, como Turquia e Arábia Saudita, a aliança não apresenta o Irã como a grande ameaça da região. “Importante colocar que esse novo bloco ele não é anti-Irã. Não busca subjugar a República Islâmica do Irã e não têm no Eixo da Resistência [grupo de atores contrários à política dos EUA na região] a principal ameaça a estabilidade do Oriente Médio. Isso é uma mudança importante”, acrescentou. Guerras interligadas A professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) Isabela Agostinelli afirmou à Agência Brasil que as guerras após o 7 de outubro estão interligadas ao ataque do Hamas, que serviu para recolocar a questão palestina no centro da disputa regional.

Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) - Foto: Fecap/Divulgação “Depois do 7 de outubro, a questão palestina é recolocada no centro novamente a ponto de a Arábia Saudita, que estava na iminência de normalizar as relações com Israel, dizer que não há qualquer acordo possível sem uma solução para a questão palestina”, destacou.

Para Isabela Agostinelli, Israel usou o 7 de outubro para expandir a guerra de Gaza para a Cisjordânia , o Líbano e o Irã com objetivo de transformar a ordem regional a seu favor. “Há um objetivo ali de basear essa ordem na desordem, no caos regional, em guerras intermináveis, que são muito lucrativas para a indústria de armas e de tecnologia que em Israel é muito forte”, disse à Agência Brasil .