Soluções tecnológicas desenvolvidas pela Embrapa em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com apoio financeiro do Banco Mundial vão apoiar o acesso de produtos do agronegócio brasileiro a mercados exigentes. Essas tecnologias digitais, com a sua integração à plataforma Agro Brasil + Sustentável ( AB+S ), facilitam, principalmente, o cumprimento de requisitos para atender ao Regulamento da União Europeia para Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês).

O lançamento ocorreu durante o simpósio “Tecnologias Embrapa para Acesso a Mercados Exigentes”, realizado em 30 de outubro, em Campinas, SP, na Embrapa Agricultura Digital.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, participou da abertura do evento, além da economista agrícola sênior do Banco Mundial, Marie Paviot, do pesquisador Claudio Almeida, do Inpe e do secretário de Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Clecivaldo Ribeiro. “Eu não tenho dúvida de que o Brasil pode responder a essas exigências; a questão é mais de ter ferramentas para comprovar isso e que essas ferramentas sejam acessíveis a todos os produtores brasileiros”, disse Paviot.

Na visão da economista, “a parceria com o Mapa, no âmbito da Plataforma AB+S, se encaixa muito nos objetivos do Banco Mundial, de erradicar a pobreza e diminuir a desigualdade no mundo”. Para o secretário do Mapa, são ações de vanguarda que representam uma oportunidade para o Brasil comprovar a sustentabilidade da sua produção agropecuária, além de permitir ao País responder às exigências do mercado europeu. “Nossa preocupação é colocar mais produtores exportando para o mundo, incluindo os micro, pequenos e médios produtores”, enfatizou Clecivaldo Ribeiro, ressaltando a importância da geração de renda, principalmente para as comunidades.

As tecnologias digitais permitem que a agricultura brasileira avance e se diferencie, contribuindo para melhor atendimento às exigências sanitárias e às questões regulatórias, de acordo com a presidente da Embrapa. “Com essas ferramentas, vamos trazer mais transparência ao processo de produção”, destacou. Massruhá ainda apontou a relevância de se ter bases de dados confiáveis que mostrem a sustentabilidade da produção, pautadas em indicadores econômicos, ambientais e sociais.

No simpósio, houve apresentação dos resultados de atualizações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento no Brasil por Satélite ( Prodes ) e dos mapeamentos da cobertura e uso da terra ( TerraClass ), além das soluções digitais para a elegibilidade agroambiental (ElegiAgro) e para a rastreabilidade baseada em protocolos digitais integrados, para carne bovina, café e soja ( Embrapa Trace ). “Essas tecnologias formam uma solução única em apoio à agropecuária brasileira e aos mercados sustentáveis”, afirmou Júlio Esquerdo, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agricultura Digital.