Tom Zé completa 90 anos neste domingo, 11 de outubro, mantendo-se em atividade e fiel a uma trajetória marcada pela experimentação. Nascido Antônio José Santana Martins, em Irará, na Bahia, o artista construiu uma obra singular dentro da música brasileira e se tornou uma das figuras mais inquietas associadas ao movimento tropicalista.
A comemoração começou na sexta-feira, 9 de outubro, com um show no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O cantor e compositor também desenvolve um projeto musical voltado à continuidade de sua produção, iniciada ainda na década de 1960.
A carreira de Tom Zé inclui vínculos importantes com nomes e grupos que ajudaram a transformar a música brasileira. Ele compôs com Rita Lee as músicas “2001” e “Qualquer bobagem”, ligadas aos Mutantes, e apresentou Moraes Moreira ao poeta Luiz Galvão, colaboração que contribuiu para a formação dos Novos Baianos. Em Salvador, também dividiu o histórico show “Nós, por exemplo”, em 1964, com Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia.
A opção por uma música distante das fórmulas comerciais fez com que alguns de seus discos enfrentassem baixa repercussão no lançamento. A mudança ocorreu depois que David Byrne conheceu “Estudando o samba”, de 1976, e se interessou pela inventividade do trabalho. Em 1988, os dois se encontraram em São Paulo, e Byrne posteriormente compilou a obra de Tom Zé para o selo Luaka Bop, além de lançar álbuns inéditos do brasileiro, como “The hips of tradition”, de 1991.
A redescoberta internacional abriu caminho para uma nova fase fonográfica, com trabalhos como “Com defeito da fabricação” (1998), “Jogos de armar (Faça você mesmo)” (2000), “Estudando o pagode” (2005), “Estudando a bossa” (2008) e “Tropicália lixo lógico” (2012). Esses discos ampliaram uma discografia que inclui títulos como “Tom Zé” (1968), “Todos os olhos” (1973) e “Correio da Estação do Brás” (1978), reafirmando a disposição do artista de criar sem se prender a classificações.


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