PF aponta conluio entre advogado de Trump e Bolsonaro em ataques a Moraes

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PF aponta conluio entre advogado de Trump e Bolsonaro em ataques a Moraes

A Polícia Federal (PF) identificou uma rede de comunicação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o advogado norte-americano Martin de Luca, representante da Trump Media & Technology Group e da plataforma Rumble. As mensagens e documentos apreendidos indicam que os envolvidos atuavam para “amplificar ataques direcionados” ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Mensagens revelam alinhamento estratégico

De acordo com relatório que embasou o indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro, a PF recuperou trocas de mensagens em que o ex-presidente pede orientações a De Luca sobre como se posicionar publicamente em defesa do ex-presidente Donald Trump e contra decisões do STF.
Em um dos áudios, Bolsonaro solicita ajuda para elaborar uma nota sobre as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. O texto, segundo ele, deveria valorizar Trump e exaltar a “liberdade” acima de questões econômicas. “Me orienta uma nota pequena da tua parte, que eu possa fazer aqui, botar nas minhas mídias, pra chegar a vocês de volta aí”, disse Bolsonaro.

De Luca respondeu positivamente, ofereceu revisão do comunicado e chegou a disponibilizar acesso à mídia norte-americana. Além das mensagens, foram registradas ligações telefônicas entre ambos, incluindo uma chamada de quase nove minutos em 15 de julho.

Documentos apreendidos reforçam suspeitas

Durante busca e apreensão na residência de Jair Bolsonaro, em 17 de julho, a PF encontrou cópias impressas e traduzidas de petições apresentadas nos EUA contra Moraes, enviadas por De Luca. No diretório nacional do PL, partido ao qual o ex-presidente é filiado, os agentes localizaram um rascunho confidencial intitulado “Privileged and Confidential Attorney Work Product Draft”, com perguntas estratégicas sobre política nacional e futura atuação de Bolsonaro.

Segundo o relatório policial, o material evidencia “entrevista levada a efeito por profissional jurídico no interesse de organização estrangeira” e estaria ligado às tratativas com o advogado norte-americano.

Eduardo Bolsonaro e a rede internacional

O deputado Eduardo Bolsonaro também aparece nas investigações. Ao se mudar para os Estados Unidos, em março de 2025, ele intensificou publicações contra Moraes. Pouco depois, Martin de Luca compartilhou ao menos duas dessas postagens. Para os investigadores, o episódio reforça a existência de uma rede coordenada de ataques ao STF a partir do exterior.

Atuação do advogado e reação da PF

Martin de Luca é sócio do escritório Boies Schiller Flexner e especialista em litígios internacionais. Ele representa a Rumble em ação apresentada nos EUA contra Moraes, sob a acusação de censura. No dia seguinte ao protocolo do processo, o advogado criou uma conta no X e passou a publicar conteúdos críticos ao ministro brasileiro.

No relatório, a PF conclui que Bolsonaro atuava “subordinado a interesses de agentes estrangeiros” e que as estratégias visavam “deslegitimar decisões judiciais contrárias aos interesses comuns do ex-presidente e da plataforma Rumble”.

Defesa e posicionamento

Após a divulgação do indiciamento, De Luca confirmou a troca de mensagens, mas negou conspiração. Em comunicado publicado nas redes sociais, classificou as conversas como parte de sua rotina profissional.
“Oferecer feedback em uma breve nota pública ou transmitir um processo judicial público é algo totalmente comum. No entanto, essas ações rotineiras agora são distorcidas por teorias da conspiração”, afirmou. O advogado sustentou ainda que seguirá atuando “com transparência e profissionalismo” e que a responsabilização de Moraes ocorrerá “na Justiça americana”.

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