Pelo menos 25 pessoas morreram em setembro após consumirem vodcas adulteradas na região de São Petersburgo, na Rússia. Exames confirmaram a presença de metanol em oito vítimas, substância altamente tóxica que pode causar cegueira irreversível, coma e morte. Outras 17 mortes seguem sob análise, e uma pessoa permanece internada em estado grave.
De acordo com autoridades locais, a bebida foi produzida por vendedores não autorizados. Uma professora de jardim de infância, de 60 anos, e um homem de 78 anos foram os primeiros detidos, acusados de fabricar e engarrafar o líquido em uma instalação improvisada. No total, 14 pessoas foram presas, e as forças de segurança apreenderam mais de 1.300 litros de bebidas falsificadas.
As investigações indicam que o envenenamento ocorreu no distrito de Slantsy, onde a distribuição das vodcas adulteradas teria sido feita. Três processos criminais foram abertos, e a promotoria de São Petersburgo realiza inspeções em pontos de possível produção e venda.
Casos semelhantes no Brasil
O problema não se restringe à Rússia. No Brasil, o governo de São Paulo confirmou nesta terça-feira (30) cinco mortes associadas ao consumo de bebidas adulteradas com metanol na última semana. Uma já foi confirmada e quatro estão em análise. Além disso, sete casos de intoxicação foram comprovados, enquanto outros 15 permanecem sob investigação.
Até agora, dois suspeitos foram presos, e 50 mil garrafas de bebidas falsificadas acabaram apreendidas. Para acelerar a apuração, três laboratórios de referência em Campinas, Botucatu e Ribeirão Preto estão mobilizados, emitindo laudos em até uma hora após a coleta de amostras de sangue, urina e do próprio líquido suspeito.
Índia também enfrenta crise recorrente
Na Índia, episódios de intoxicação por metanol em bebidas clandestinas vêm sendo registrados há anos. Em junho de 2024, 37 pessoas morreram e mais de 100 foram hospitalizadas no estado de Tamil Nadu, após ingerirem um lote de bebida destilada adulterada.
Em 2019, um caso de grandes proporções resultou em 99 mortes nos estados de Uttar Pradesh e Uttarakhand, após o consumo de um destilado de alto teor alcoólico conhecido como moonshine.
Risco global
Autoridades de saúde reforçam que a ingestão de metanol é uma ameaça grave e recorrente em diversos países, sobretudo onde há consumo de bebidas produzidas sem fiscalização. A substância, muitas vezes usada para adulterar destilados por seu baixo custo, pode provocar sintomas como náuseas, vômitos, visão turva, convulsões e falência múltipla de órgãos.
Enquanto Rússia, Índia e Brasil registram novos episódios de intoxicação, especialistas recomendam atenção redobrada a preços muito abaixo do mercado e a fornecedores sem registro, considerados principais indícios de adulteração.