O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), subiu o tom contra o Judiciário e o Executivo federal nesta semana. Durante anúncio em Brasília, Zema oficializou o apoio ao pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e cobrou um posicionamento público do presidente Lula sobre o chamado “Caso Master”.

A movimentação ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citariam o ministro. Moraes, por sua vez, nega qualquer irregularidade, afirmando em nota que os registros estavam vinculados a outros contatos na agenda do empresário.

“Ética, não eleição”, afirma o governador

Apesar de o anúncio coincidir com o período de articulações para o pleito presidencial, Zema rechaçou a tese de que a ação tenha fins eleitorais. Segundo o governador, a motivação é a mesma que o fez estrear na política em 2018:

“Claro que esse movimento nosso não tem nada de eleição. Ele é um movimento pela ética, pela transparência e pela cidadania. Coincidiu de estarmos em um ano eleitoral. Quem me conhece sabe que entrei na política por indignação e inconformismo”, declarou.

Fogo cruzado no Senado

O pedido protocolado pelo Partido Novo é o 47º processo de impeachment contra Alexandre de Moraes a chegar ao Senado. A ofensiva não para no STF: o senador Eduardo Girão (Novo-CE) anunciou uma representação no Conselho de Ética contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), acusando-o de “engavetar” sistematicamente os pedidos contra ministros da Suprema Corte.

Os principais pontos da coletiva:

  • Impeachment: Foco na conduta de Moraes e nos desdobramentos das mensagens de Vorcaro.

  • Cobrança ao Executivo: Zema exige que o presidente Lula se manifeste sobre a gravidade das denúncias.

  • Postura de Alcolumbre: Críticas à gestão do Senado por travar o debate sobre o Judiciário.

Candidatura própria mantida

Derrubando rumores de bastidores, Zema aproveitou o espaço para reafirmar sua pré-candidatura à Presidência da República. O governador descartou qualquer possibilidade de compor uma chapa como vice.

“Eu levarei a minha pré-campanha e campanha até o final. Estar como vice de outro candidato é, de certa maneira, fazer o Novo convergir a questões nas quais não concordamos”, pontuou o mineiro, sinalizando que o partido busca uma via independente e fiel aos seus princípios institucionais.