O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou neste domingo (22) que os Estados Unidos e Israel romperam completamente os esforços diplomáticos ao promoverem ataques contra instalações nucleares iranianas. Segundo ele, os norte-americanos “cruzaram uma linha vermelha muito séria” e cometeram uma “grave violação da Carta da ONU e do direito internacional”.
Durante uma coletiva realizada na Turquia, à margem de uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), Araqchi anunciou que viajará a Moscou ainda neste domingo para uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, marcada para segunda-feira (23). O chanceler destacou que o encontro tem como objetivo discutir a escalada dos conflitos no Oriente Médio, após os bombardeios norte-americanos.
“O presidente russo sempre se mostrou disposto a mediar o conflito, e seguiremos coordenando nossas posições”, declarou o ministro iraniano.
A ofensiva dos Estados Unidos ocorreu na noite de sábado (21), quando aeronaves americanas atacaram três instalações nucleares do Irã, incluindo Fordow, uma das principais plantas subterrâneas do programa nuclear do país. A estrutura, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tem capacidade para operar até três mil centrífugas de enriquecimento de urânio.
O bombardeio norte-americano veio na esteira da escalada do conflito entre Irã e Israel, que começou no último dia 13, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) atacaram alvos ligados ao programa nuclear iraniano e lideranças militares em Teerã. Em resposta, o Irã realizou ataques de retaliação, elevando o risco de um conflito de maiores proporções na região.
Ainda neste domingo, Araqchi confirmou que o Irã solicitou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU para discutir as ações dos Estados Unidos, que ele classificou como uma “traição à diplomacia”. Em uma publicação na rede X (antigo Twitter), o chanceler também acusou Israel de ter “bombardeado” as negociações em andamento, e afirmou que os EUA fizeram o mesmo ao promover os ataques após conversas diplomáticas com chanceleres europeus em Genebra, na última sexta-feira (20).
O governo russo já havia demonstrado preocupação com o aumento das tensões na região. Na semana passada, o presidente Putin manteve conversas telefônicas com lideranças dos Emirados Árabes Unidos para discutir os riscos de uma ofensiva militar em larga escala.
“O meu país foi atacado e, diante disso, temos o legítimo direito à autodefesa”, afirmou Abbas Araqchi, reforçando que a diplomacia segue como uma possibilidade, mas agora em condições muito mais difíceis.