Mais de 40 mil voluntários participaram da construção de 108 estupas budistas na área onde será instalada a Gelephu Mindfulness City, no sul do Butão. Os monumentos, com 15 metros de altura, foram erguidos ao longo de 12 quilômetros da margem de um rio, perto da fronteira com a Índia.

Cerca de 200 mil pessoas compareceram à cerimônia, número equivalente a quase um quarto da população do país, segundo autoridades. O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck afirmou que havia preocupação sobre a possibilidade de concluir a instalação das 108 estruturas em um único dia, mas disse que a operação foi realizada com sucesso.

O número 108 é considerado sagrado no budismo, religião amplamente praticada no Butão. Para as autoridades, as estupas representam uma forma permanente de oração, materializada em pedra e terra.

A cidade foi idealizada pelo rei e projetada por arquitetos dinamarqueses para funcionar como um polo de crescimento econômico. O plano prevê a atração de investimentos em negócios sustentáveis, tecnologia verde, educação, turismo e serviços financeiros.

O projeto ocorre em meio a desafios econômicos no Butão, que enfrenta aumento do desemprego, queda na taxa de natalidade e saída em massa de trabalhadores qualificados. A futura cidade ocupa uma área que hoje corresponde a uma pequena localidade de cerca de 10 mil habitantes, a aproximadamente 240 quilômetros ao sul da capital, Thimphu.

A zona especial foi criada por decreto real em 2024. Os planos incluem uma conexão com a rede ferroviária indiana, no estado vizinho de Assam, e a abertura de um aeroporto internacional prevista para 2029. O empreendimento também está relacionado às iniciativas do país com criptomoedas: o Butão minera bitcoins usando excedentes de energia hidrelétrica e afirma que pretende utilizar ativos digitais no desenvolvimento da cidade.

Apesar das expectativas, analistas questionam se o Butão conseguirá atrair investimentos suficientes para concretizar o projeto. O bilionário indiano Gautam Adani, que lidera um conglomerado com negócios nos setores portuário e energético, passou a integrar a iniciativa como membro fundador em janeiro.

A Gelephu Mindfulness City foi apresentada como uma tentativa de combinar crescimento econômico com a tradição butanesa de priorizar a Felicidade Interna Bruta. Moradores que participaram da cerimônia disseram esperar viver o bastante para acompanhar a transformação da região.