A Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) informou que retirou temporariamente suas forças de Mekelle, capital da região do Tigré, no norte da Etiópia. Segundo informações publicadas pela BBC News, a decisão ocorreu enquanto os combates com tropas do governo federal e grupos aliados se aproximavam da cidade.
Dois moradores disseram que forças pró-governo passaram a controlar Mekelle e que os combatentes da TPLF deixaram a capital. Um deles relatou ainda que o serviço de telefonia móvel parecia ter sido restabelecido em algumas áreas.
Os confrontos se intensificaram nas últimas semanas em partes do Tigré e das regiões vizinhas de Afar e Amhara. A retirada representa uma mudança significativa no conflito e aumentou as preocupações de observadores sobre uma possível desestabilização do Chifre da África, com eventual envolvimento de países vizinhos.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos pediu contenção e diálogo de todas as partes antes de uma reunião diplomática sobre o conflito, realizada no Egito, com a participação de líderes de países da região. A ONU também alertou que a deterioração da segurança no norte da Etiópia está prejudicando gravemente as operações humanitárias e pediu garantias de acesso seguro e sem obstáculos às pessoas necessitadas.
A população do Tigré ainda se recupera de uma guerra civil de dois anos encerrada em 2022 por um acordo de paz mediado pela União Africana, conhecido como Acordo de Pretória. Nos últimos seis meses, porém, as relações entre os lados se deterioraram, com acusações mútuas de violações do pacto. No mês passado, a TPLF se juntou a outros seis movimentos armados, incluindo a milícia Fano, da região de Amhara, em uma aliança que afirma ter como objetivo retirar o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed do poder.
A escalada ocorre em meio ao agravamento das relações externas da Etiópia. Na sexta-feira, Etiópia e Eritreia romperam relações diplomáticas depois de Addis Abeba acusar Asmara de apoiar a nova aliança rebelde, acusação negada pelo governo eritreu. A Etiópia também acusou o Egito de apoiar os rebeldes, o que levou à expulsão de um diplomata egípcio; em resposta, o Cairo determinou a saída de um funcionário da embaixada etíope.


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