Uma facção do Ku Klux Klan tenta se reposicionar nos Estados Unidos com o nome de “Knights Party” e uma comunicação centrada em família e fé. A mudança, porém, não alterou sua defesa explícita do nacionalismo branco, admitida pelo líder Thomas Robb em entrevista realizada no condado de Boone, no Arkansas.
Robb comanda desde 1989 os Knights of the Ku Klux Klan, grupo criado na década de 1970 por David Duke. Ao longo dos anos, ele substituiu o título de “grande mago” por “diretor nacional”, passou a aceitar integrantes por correspondência de forma confidencial e procurou se distanciar publicamente da violência associada à história do Klan.
Questionado se uma pessoa negra poderia frequentar a igreja ligada ao grupo, Robb respondeu que não, porque se trata de uma “igreja nacionalista branca”. Ele também afirmou que dois políticos muçulmanos, Zohran Mamdani e Abdul El-Sayed, não seriam americanos, mesmo depois de ser informado de que El-Sayed nasceu em Michigan. Para Robb, apenas filhos de imigrantes brancos poderiam ser considerados americanos.
O Ku Klux Klan surgiu após a Guerra Civil dos Estados Unidos, em 1865, como reação às medidas de ampliação dos direitos civis de pessoas negras e de outras minorias. O movimento recorreu a linchamentos e outros atos de violência para impedir a participação de não brancos no governo e preservar divisões raciais.
O Southern Poverty Law Center estima que existam pelo menos 152 organizações supremacistas brancas ativas nos Estados Unidos. Outra dessas organizações, a Patriot Front, marchou por Washington, D.C., durante o feriado da Independência neste ano. Especialistas também apontam a disseminação, na última década, de ideias associadas à teoria da “grande substituição”, uma conspiração falsa segundo a qual imigrantes, judeus e grupos não brancos estariam tentando substituir a população branca.
Uma pesquisa de 2025 do Public Religion Research Institute, com mais de 20 mil adultos, mostrou que 32% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que imigrantes estariam “invadindo” o país e substituindo sua identidade cultural e étnica. Críticos acusam líderes de direita, incluindo o presidente Donald Trump, de normalizar esse tipo de discurso. Robb disse que o crescimento do sentimento nacionalista branco começou antes do segundo mandato de Trump, durante a eleição de Barack Obama, em 2008.
Apesar de afirmar que o apoio ao movimento está crescendo, Robb não apresentou números de filiação nem evidências para sustentar a declaração. Ele reconheceu ainda que muitas pessoas hesitam em se tornar integrantes de uma organização supremacista branca.


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