Uma lagarta conhecida por causar prejuízos no campo pode contribuir para enfrentar o descarte de isopor nas grandes cidades. Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estudam a capacidade da Helicoverpa armigera de degradar o material plástico.

O isopor é um plástico expandido composto por cerca de 98% de ar e 2% de matéria-prima. Apesar de ser leve, resistente à umidade e usado como isolante térmico e amortecedor de impactos, o material apresenta dificuldades de reciclagem. O processo exige equipamentos específicos, mão de obra e resulta em uma quantidade proporcionalmente pequena de matéria-prima reaproveitada.

A pesquisa começou depois que os cientistas observaram que as lagartas conseguiam roer potes e tampas de plástico usados para armazená-las. A análise do intestino dos animais revelou a presença de fungos com potencial para degradar o isopor.

No laboratório, as lagartas recebem uma dieta controlada e são submetidas aos experimentos. Os pesquisadores ressaltam que os testes ainda ocorrem em pequena escala e não representam uma solução pronta para o problema.

A expectativa é descobrir se o processo pode transformar o polímero em moléculas reaproveitáveis, mesmo que a degradação não seja completa. Para isso, será necessário ampliar a escala da pesquisa e avaliar a aplicação prática do método.

Uma possibilidade estudada é destinar às lagartas resíduos de isopor que não possam ser processados pelas máquinas ou que tenham baixo valor para cooperativas de reciclagem.