Direitos Humanos Representação de parlamentares negros segue baixa, diz pesquisadora Número de pretos e pardos na Câmara cai de 139 para 135 Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil Publicado em 05/10/2026 - 19:08 | 00:00 --> Brasília © Jefferson Rudy/Agência Senado/Direitos Reservados Versão em áudio A redução no número de parlamentares pardos e pretos de 139 para 135 na Câmara dos Deputados tem um significado que vai além dos números, para a cientista política Evelyn Apolinária.
Segundo a pesquisadora e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), o dado mais relevante não é a perda de quatro cadeiras, mas sim a sub-representação persistente. “Os negros são cerca de metade das candidaturas à Câmara e pouco mais da metade da população, mas ocupam pouco mais de 25% das cadeiras”, lamentou Evelyn. Dos 135 pretos e pardos eleitos neste domingo (4), 77 foram reeleitos. Ela considera que os recursos de campanha, o acesso ao financiamento e as estruturas partidárias seguem desiguais. “As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, aponta.
Racismo A agremiação partidária que mais elegeu parlamentares negros foi a federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas, com 32 cadeiras ou 23,7% do total. Doutoranda na Universidade de Brasília (UnB), Evelyn Apolinária pontua que a representação de raça não garante unicidade na agenda legislativa no que diz respeito ao racismo. “O número de parlamentares negros não diz, por si só, nada sobre a orientação ideológica de cada um.
Apenas a representação por raça e cor não garante uma agenda una e coesa nessa questão.” A pesquisadora contextualiza que, na literatura acadêmica sobre representação, a presença de um grupo não garante a defesa dos seus interesses, que podem ser, inclusive, variados. “A atuação antirracista no Legislativo costuma se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda”. Congresso à direita Na avaliação dela, o Congresso mais deslocado à direita tende a reduzir a agenda de novos projetos de combate ao racismo ou de ampliação de políticas afirmativas e orçamento para a pasta da igualdade racial. Haveria fatores, segundo ela, que contribuiriam com a incerteza do que deve ser a produção desses parlamentares em relação ao tema da igualdade racial.
Isso inclui, por exemplo, o resultado do segundo turno presidencial, que deve definir a relação do Executivo com o Legislativo. Outro fator que importaria nesse cenário seria o papel da bancada negra e da presença no colégio de líderes, que pode ajudar a manter esses temas na agenda mesmo com uma maioria não tão favorável. “Eu falaria em risco de menor prioridade e de maior conflito, não em ausência garantida de pautas”, diz a pesquisadora. Relacionadas Eleições: abstenção cresce para 21,6% e soma 33 milhões de brasileiros Quando será o segundo turno das eleições?
Veja a data Edição: Denise Griesinger eleições 2026 pretos pardos sub-representação racismo racismo estrutural Compartilhe essa notícia Continuar lendo Destaques EBC Radioagência Sem por fim à crise habitacional, Espanha antecipa eleições gerais Rádios TV Brasil Flávio Bolsonaro comemora o resultado do primeiro turno das eleições Mais notícias Política Filho de Arthur Lira se torna o mais jovem deputado federal já eleito seg, 05/10/2026 - 19:11 Direitos Humanos Representação de parlamentares negros segue baixa, diz pesquisadora seg, 05/10/2026 - 19:08 Internacional Nova York declara estado de emergência por surto de sarampo seg, 05/10/2026 - 18:45 Política Renovação da Câmara federal chegou a 35%; veja nova composição da Casa seg, 05/10/2026 - 18:29 Economia Dólar cai a R$ 5, e bolsa sobe quase 8% após primeiro turno seg, 05/10/2026 - 18:24 Política Polícia Federal apreende R$ 2,8 milhões no primeiro turno das eleições seg, 05/10/2026 - 18:00 Ver mais


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