Aos 41 anos, o centro de pesquisa que nasceu Informática Agropecuária ajustou rotas e chega à maturidade Embrapa Agricultura Digital. A tarefa: atuar em temas portadores de futuro, como a inteligência artificial (IA), para acelerar a entrega de soluções ao setor produtivo. Nessa direção, no dia 5/11, a data foi comemorada com o lançamento de tecnologias, cursos e iniciativas de comunicação. Um painel debateu mudanças climáticas e gestão de riscos na agricultura. “Os oito chefes que me antecederam contribuíram para colocar esta unidade em posição ascendente”, disse Stanley Oliveira, chefe geral da Embrapa Agricultura Digital.

Ele exaltou a capacidade da unidade de se reinventar em momentos de dificuldade para poder avançar. “Artigo que li há dez anos dizia que o futuro da agricultura seria digital, inteligente e conectado. Já estamos no futuro”, completou. A capilaridade crescente do centro de pesquisa e ações de democratização das tecnologias digitais, também foram destaques na fala de Oliveira. Ele agradeceu às equipes que atuam no centro de pesquisa instalado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e destacou o papel das instituições parceiras, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Painel - Jean Ometto, do Inpe, participou do painel “Mudanças climáticas e a gestão de riscos na agricultura” ao lado de Alexandre Heinemann, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, e Daniel Vitória, da unidade anfitriã. A mediação do pesquisador Aryeverton Oliveira. “Não vamos mais ficar lidando com a mudança climática só falando que ali na frente vem um desastre. A gente vai explorar nossas opções, gerar métricas e montar estratégias com base em evidências”, resumiu o mediador ao final do debate de estratégias de adaptação às alterações do clima, cada vez mais frequentes e severas.

Na mesma direção, Vitória indica: “não basta projetar o risco, a pesquisa precisa ajudar a responder como reduzir esse risco”. Segundo entende, será necessário sair da ênfase na perda, ameaça e impactos, para a ênfase na proteção, com uma agenda de adaptação para sistemas resilientes com participação ativa do produtor. Foram discutidas ações em andamento como o Programa de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e o Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças Climáticas (AdaptaBrasil), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apresentado por Ometto.

As projeções climáticas que apoiam decisões em diferentes setores da sociedade, tornando-se úteis quando traduzidas em risco, defendeu o pesquisador. “Considerar opções tecnológicas e estruturais inovadoras e disruptivas aos desafios que o novo padrão climático nos impõe, e agir com urgência e transversalmente na sociedade” , conclui o especialista do Inpe. Melhoramento genético - Para Heinemann, é necessário levar o melhoramento genético das culturas para dentro do debate sobre adaptação de mudanças climáticas, que estão diminuindo as janelas de plantio, com reflexos no fator manejo.

Cerca de 90% dos programas de melhoramento genético de culturas no Brasil têm como foco a produtividade, indicou.