Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após ser atingido por pelo menos 27 disparos feitos por policiais militares durante uma abordagem em Moema, na Zona Sul de São Paulo. O caso ocorreu na madrugada de sábado, depois que a Polícia Militar recebeu um chamado sobre um homem que estaria transtornado e ameaçando tirar a própria vida.
Segundo o boletim de ocorrência, quatro agentes dispararam 45 vezes com pistolas calibre .40. O registro informa que o soldado Gomes fez 14 disparos, o soldado Sales, 13, o soldado França, 12, e o sargento Macedo, seis. Outros quatro policiais que estavam em viaturas de apoio não atiraram.
A perícia encontrou o celular de Gustavo ao lado do corpo. O objeto teria sido interpretado pelos policiais como uma arma durante a abordagem. Conforme a versão apresentada pelos agentes, o jovem correu ao avistar as viaturas, passou por uma passarela e tentou se esconder no recuo de um imóvel comercial. Depois, teria saído de uma área escura e estendido os braços na direção dos policiais enquanto segurava o objeto.
A morte foi constatada no local por uma equipe de socorro. A perícia identificou quatro pontos de concentração de cápsulas e recolheu 44 estojos de munição, além de 13 fragmentos de projéteis. Os disparos provocaram ferimentos em diversas regiões do corpo, incluindo cabeça, tórax, braços, mãos e pernas. O laudo definitivo do Instituto Médico Legal ainda será elaborado.
Gustavo morava com a mãe e as irmãs, segundo familiares ouvidos pelos investigadores. Os parentes relataram que ele enfrentava dependência química, fazia tratamento psiquiátrico e usava antidepressivos desde o ano passado. A Polícia Civil informou que o jovem não tinha antecedentes criminais.
As câmeras corporais dos policiais registraram, em uma análise preliminar, o momento em que Gustavo saiu da área escura e estendeu os braços na direção dos agentes. A íntegra das gravações foi requisitada pelo delegado responsável pelo inquérito e ainda será examinada para esclarecer a sequência dos fatos e o que ocorreu antes dos disparos.
As quatro pistolas usadas na ação, o celular e as imagens das câmeras corporais foram apreendidos. Os armamentos passarão por exames balísticos, enquanto o telefone e as gravações serão periciados. As polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte, e a Secretaria da Segurança Pública informou que também será instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar a atuação dos agentes.


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