As forças israelenses estão deslocando novamente palestinos dentro da Faixa de Gaza, enquanto a área disponível para a população diminui, afirmou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR). A agência alertou que as ações militares continuam levantando preocupações sobre uma possível limpeza étnica no enclave sitiado.

Segundo o OHCHR, a chamada Linha Amarela, que delimita a área de posicionamento militar, avançou para o oeste nas últimas duas semanas. A agência afirmou que as forças israelenses parecem tratar a linha como uma “zona de morte”, impedindo o retorno de palestinos ao que restou de suas casas do outro lado.

A organização também relatou a destruição de estruturas civis remanescentes e ataques a locais de deslocamento. A expansão foi registrada em Shujayea, na Cidade de Gaza, e em áreas do leste de Bureij, Deir el-Balah e al-Maghazi, na região central do território. O Exército israelense mantém, segundo o relato, o objetivo declarado de ampliar sua área de presença militar para 70% de Gaza.

Em Shujayea, pelo menos dois ataques foram relatados contra acampamentos de deslocados. O OHCHR informou que robôs com explosivos detonaram os poucos edifícios ainda de pé na região e recebeu relatos de que um drone israelense lançou munições contra uma tenda que abrigava palestinos deslocados. O Ministério palestino de Obras Públicas e Habitação afirmou que o incêndio resultante deslocou 200 famílias, reunindo cerca de 800 pessoas.

Ajith Sunghay, chefe do OHCHR na Palestina ocupada, descreveu o deslocamento em Gaza como uma situação simultaneamente aguda e prolongada. Segundo ele, as pessoas que deixaram suas casas antes do anúncio do cessar-fogo têm pouca ou nenhuma perspectiva de retorno, porque muitas das áreas de origem estão inacessíveis além da Linha Amarela.

Embora o cessar-fogo continue em vigor, os ataques prosseguiram. O Ministério da Saúde de Gaza informou que 1.574 pessoas foram mortas e 5.687 ficaram feridas desde a entrada em vigor do acordo, em 11 de outubro de 2025. Desde o início dos ataques israelenses, em outubro de 2023, o órgão contabiliza ao menos 74.570 mortos e 175.808 feridos.