A economia da Índia cresce a uma taxa superior a 7%, mas suas ações estão entre as de pior desempenho dos principais mercados em 2026. Os índices Sensex e Nifty, que reúnem as maiores empresas do país, registraram perdas por oito semanas consecutivas — a sequência mais longa em 25 anos — antes de uma leve recuperação no início desta semana.

Investidores indianos que aplicaram no Nifty acumulam uma queda de aproximadamente 15% no ano. Nos últimos dois anos, investidores estrangeiros retiraram cerca de US$ 40 bilhões do mercado indiano, segundo dados da Bernstein Research. A saída foi parcialmente compensada por recursos domésticos destinados a fundos mútuos e outros investimentos: os ativos sob gestão desses fundos passaram de cerca de US$ 125 bilhões, em 2016, para aproximadamente US$ 900 bilhões neste ano.

O primeiro fator de pressão é a energia. O petróleo tem sido negociado entre US$ 90 e US$ 100 por barril, em meio à interrupção prolongada do transporte pelo estreito de Ormuz. A Índia importa mais de 90% do petróleo que consome, e quase metade dessas compras, além de parte relevante do gás liquefeito de petróleo e do gás natural liquefeito, passa pela região. A alta do combustível aumenta a inflação e pressiona as margens das empresas. A diversificação das fontes de energia também ficou mais complexa diante da ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas de até 100% a países que negociem com a Rússia, de onde a Índia compra petróleo.

A elevação dos juros internacionais é outro obstáculo. Com a inflação impulsionada pelo petróleo, as taxas sobem em diferentes economias, enquanto o rendimento efetivo dos títulos do governo americano supera 5%, próximo do maior nível em 25 anos. Esse cenário pode levar investidores estrangeiros a trocar ativos de mercados emergentes, como as ações indianas, por títulos dos Estados Unidos, considerados investimentos mais seguros.

A desvalorização da rúpia reduziu ainda mais o retorno para estrangeiros. Considerando o efeito cambial, o Nifty entregou retorno anualizado de apenas 6% em dólares na última década. Além disso, embora as ações indianas tenham ficado mais baratas após a correção dos últimos dois anos, elas ainda são caras em relação aos lucros quando comparadas às de outros mercados emergentes. Empresas da Coreia do Sul e de Taiwan, por exemplo, foram beneficiadas pelo avanço da inteligência artificial, que elevou seus resultados.

A ausência de grandes empresas indianas na economia de inteligência artificial também limita o interesse internacional. A Bernstein Research avalia que muitas companhias de grande porte ainda estão concentradas em negócios tradicionais, enquanto empresas menores não alcançaram escala suficiente para atrair fundos estrangeiros. A Índia investe em centros de dados, fabricação de chips, espaço, defesa e tecnologias avançadas, mas ainda não criou uma companhia global comparável às líderes do setor de IA. Para a corretora CareEdge, uma redução das tensões geopolíticas e avaliações mais atraentes poderiam favorecer a volta do capital estrangeiro, embora os preços de energia e as disputas comerciais continuem ameaçando o desempenho corporativo. Enquanto isso, os aportes mensais de investidores indianos em fundos mútuos seguem firmes; o desafio será saber se essa resistência continuará caso a queda se aprofunde.