Nos 50 segundos em que abraçou o presidente Lula pelo aniversário de 81 anos, o estudante brasiliense Daniel Vidal, de 13 anos, conseguiu agradecer pelas políticas públicas para o país e dizer que o admirava. Não teve tempo de dizer tudo o que queria ao único homem eleito quatro vezes no Brasil. “Queria dizer a ele que quero ser presidente também.” Do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada, o menino, acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46, ficou muito emocionado. Naquele dia (27), não pensou duas vezes em faltar à aula de futebol depois que soube que eleitores de Lula fariam uma homenagem ao aniversariante.
O garoto também queria dizer a Lula que ele deve incentivar os jovens de todas as idades a participarem da política. Daniel tem menos de 5% da visão nos dois olhos por causa de uma doença genética (Amaurose Congênita de Leber). O problema foi descoberto com dois meses de vida. E, desde então, ele foi estimulado a ser ativo. Ansioso por se posicionar, ele estava com a mesma camisa da seleção brasileira, com o número 13, de quando abraçou o presidente. A roupa já é histórica para a família . “Se eu tivesse 10 minutos com o presidente, falaria mais das políticas públicas e como ajudaram [o país].
Eu daria uma sugestão também de um ministério exclusivo para as pessoas com deficiência”, sorriu em entrevista à Agência Brasil . Desde janeiro de 2023 (no início do terceiro mandato de Lula), o Brasil conta com uma Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Daniel defende que o país promova mais acessibilidade. “Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, lamenta. Ele queria falar com o presidente sobre isso, por exemplo.
Morador de um bairro central de Brasília, na Asa Sul, o garoto diz que gosta de conversar com os colegas adolescentes sobre jovens que não têm os mesmos privilégios. “Em muitos lugares, o piso é bastante irregular. Para pessoas com cadeira de rodas, não dá para a cadeira passar. Prédios que não têm uma rampa ou elevador. Pouca acessibilidade em transporte público. Eu acho que o Brasil tem que melhorar muito”, diz Daniel. Para estudar, o menino conta com teclado eletrônico em braille para acompanhar os estudos com computador. “Eu acho que o governo deveria ajudar todos a terem um assim”.
A mãe dele, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, diz que, em casa, procura estimular o menino desde muito cedo. “Nós líamos para ele desde que nasceu. Ele nunca parou de se interessar sobre o mundo. O Daniel sempre se interessou muito por história e por geopolítica”, afirma. O apoio dos pais foi bem sucedido. Mesmo considerado precoce para a sua idade, o garoto se interessou por economia e pelas notícias do mundo, incluindo a desigualdade. “O que mais me chamou a atenção, nos últimos anos, é que o Brasil saiu do Mapa da Fome. A taxa de desemprego é a menor desde 2015”, afirma.
Entre os temas críticos que despertam a sua atenção e da família, estão os preconceitos, incluindo o capacitismo. “Nós, pessoas com deficiência, precisamos batalhar para conquistarmos nossos direitos”.


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