O Ministério da Igualdade Racial encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro para pedir a apuração de um episódio de racismo ocorrido durante um ato de campanha em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação foi realizada na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Imagens divulgadas nas redes sociais e em sites de notícias mostram um apoiador branco conduzindo um homem negro acorrentado. O homem carregava um tridente e usava uma camisa listrada em vermelho e preto, enquanto o apoiador vestia roupas nas cores verde, branco e azul, com referências à bandeira do Brasil. No vídeo, o homem negro é chamado de “Luladrão, Satanás e Capiroto”.
Flávio Bolsonaro participou do ato em um trio elétrico, acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL). O episódio ocorreu durante a última manifestação de campanha do candidato à Presidência da República.
Em nota, o Ministério da Igualdade Racial classificou a cena como inaceitável e afirmou que a acorrentação e a humilhação de uma pessoa negra reproduzem uma dinâmica associada ao período escravagista. A pasta também destacou que o contexto eleitoral amplia o significado do episódio diante das marcas da escravidão na sociedade brasileira.
A deputada federal eleita Anielle Franco (PT) havia informado que acionaria o ministério para tratar do caso no Rio de Janeiro e de um episódio de intolerância religiosa registrado em Belo Horizonte. Na capital mineira, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um ato em apoio a Flávio Bolsonaro. Os dois casos foram mencionados por Anielle em uma publicação nas redes sociais.


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