O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), oficializou nesta terça-feira (17) a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar fraudes e desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O pedido foi assinado por 44 senadores e 249 deputados e tem como objetivo apurar os descontos ilegais realizados em aposentadorias e pensões de milhões de brasileiros. As investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que entidades e associações faziam cobranças mensais sem autorização dos beneficiários, por meio de cadastros forjados e sem oferecer qualquer serviço real.
O rombo estimado chega a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, segundo os órgãos de controle.
A leitura do requerimento foi feita durante sessão do Congresso e, com isso, a CPMI está formalmente criada. Agora, os líderes partidários deverão indicar os membros que irão compor a comissão, formada por 15 senadores e 15 deputados, além de igual número de suplentes.
O prazo inicial de funcionamento da CPMI é de 180 dias, com orçamento estimado em R$ 200 mil.
Disputa política nos bastidores
A criação da comissão foi uma articulação da oposição, que enxerga na CPMI uma oportunidade de desgastar politicamente o governo federal. O governo, que inicialmente se mostrava contrário, passou a trabalhar para garantir espaço no comando e na relatoria da comissão, a fim de mitigar eventuais prejuízos políticos.
Nos bastidores, já há movimentações para que o senador Omar Aziz (PSD-AM), que presidiu a CPI da Covid, assuma também a presidência da CPMI do INSS. A relatoria deve ficar com um deputado, possivelmente alguém de perfil mais alinhado à oposição.
A decisão de Alcolumbre em fazer a leitura do requerimento nesta terça-feira também foi estratégica. A expectativa inicial era que isso ocorresse no fim de maio, mas o adiamento deu tempo ao governo para articular a ocupação dos principais cargos da comissão.
O que será investigado
A CPMI irá focar na apuração dos chamados “descontos associativos”, cobranças realizadas diretamente no contracheque de aposentados e pensionistas, sem autorização, por parte de entidades que não prestavam serviços.
O esquema foi revelado após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que descobriu que milhares de beneficiários foram lesados nos últimos anos. Além disso, investigações apontam que o golpe teve início ainda no governo anterior, mas continuou ocorrendo e se agravou em 2023.
O trabalho da CPMI também deve esclarecer como o sistema do INSS permitiu a efetivação desses descontos indevidos, quem são os responsáveis diretos pelo esquema e se houve omissão de agentes públicos no processo.


30 de outubro terá ponto facultativo para servidores federais, mas não será feriado nacional
Petrobras inova na produção sustentável de combustível de aviação
Gol nega cancelamento de voos em massa para o Nordeste